[AVN] Dangerous crossing

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[AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Kotramm Ironsmith em Seg Dez 01, 2014 7:04 am

Troll?


O anão definitivamente não contava com aquele empecilho. Como em todo último dia da vigília, ele fazia sua rota habitual para alcançar uma das minas onde poderia obter os materiais para sua forja, visto que todos os recursos das minas mais próximas ou haviam esgotado ou eram extremamente disputados por diversas pessoas diferentes, o que prejudicava a mineração de Kotramm. O ruivo levava seu escudo e espada consigo pro caso de surgir algum perigo, coisa que nunca acontecia, e então seguia a rotina básica em todas as viagens: saía de sua casa, passava pela cidade e atravessava as vilas de camponeses, para então cruzar a ponte e seguir seu caminho até encontrar seu objetivo, nada fora do comum. Mas naquele dia não havia nenhuma ponte para ser cruzada.

Ironsmith seguia seu curso habitual, quando deparou-se com as ruínas da grande estrutura. A madeira negra como carvão indicava que o meio de travessia havia sido queimado. Curioso, o anão se aproximou do que sobrou da ponte, para examiná-la, e ao tocar nos tições de madeira pôde constatar que estes ainda estavam quentes, o que significava que haviam se queimado na noite anterior, e provavelmente de maneira intencional. O armeiro então analisou as suas opções. Não havia forma de se atravessar o rio, que possuía no mínimo trinta metros de largura e era profundo demais para que um anão pudesse passar a pé. Além disso, a correnteza estava forte demais para que pudesse ser atravessado nadando, o que deixava-o totalmente sem opções. Foi pouco depois disso que notou a placa. Feita de madeira, continha uma flecha mal pintada apontando para a direita, por um caminho que cruzava um bosque. Abaixo desta, escrito em garranchos, haviam as palavras “nova ponte”.

Sem muitas escolhas, Kotramm decidiu seguir a trilha apontada. E caminhou entre as árvores por quase meia hora, em um estranho silêncio. Não ouvia-se o som de um animal, ou mesmo o farfalhar das folhas de árvores com o vento. Apenas a quietude matinal, o que deixou o anão ligeiramente inseguro. Florestas e bosques eram conhecidos por emboscadas, e alarmado pela possibilidade, o ruivo retirou o escudo das costas e prendeu em seu braço esquerdo, de modo que teria ao menos proteção caso fosse alvejado por algum ataque. Depois de alguns segundos, um som quebrou o silêncio. Galhos se quebravam com passos apressados, e gritos que apavorados se aproximavam cada vez mais do meio-homem. Segundos depois um garoto saiu do meio das árvores, correndo diretamente para o ruivo. Tinha um corpo franzino, e não passava da faixa dos nove anos de idade. Sua face estava marcada pelo desespero e choro, e levou muito tempo até que o anão conseguisse acalmá-lo, fazendo com que a histeria desse lugar aos soluços.

- Ei, garoto, está tudo bem. Qual é o seu nome?

- R-Robert
– falou, entre os soluços.

- O que aconteceu com você, Robert?

- Hoje de manhã eu estava levando as ovelhas para pastar, mas esqueci das moedas. Eu pensei que conseguiria passar correndo pela ponte sem ninguém saber, porque talvez ele estivesse dormindo. Mas quando eu comecei a tocar as ovelhas pela ponte, ele apareceu – falou, ameaçando cair no choro novamente.

- Ele quem?


- O troll! Ele tinha dentes gigantes e garras como cutelos açougueiro, e saiu de baixo da ponte! Eu fugi, e as ovelhas correram em todas as direções. Papai me avisou do troll, mas eu não acreditei nele – Robert começou a soluçar e derramar lágrimas de novo, e o anão decidiu que seria melhor não perguntar mais nada ao menino.

- Pode me levar até essa ponte? – O garoto acenou com a cabeça, e ambos seguiram juntos até o local onde acontecera. Olhando da posição em que estava, a ponte parecia extremamente comum, o que fez com que o ruivo começasse a duvidar da história contada pela criança. Ainda assim, sacou a sua espada e lentamente começou a caminhar na direção da estrutura, para tentar investigar.



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Re: [AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Mialee Galanodel em Seg Dez 01, 2014 8:32 am

Um pequeno barril
sobre a ponte, seria ele o terrível monstro?


Pode mesmo resolver o problema? É que esses falcões de prata são tudo que tenho por hora, pois a imposibilidade de atravessar a ponte tem atrapalhado meus negócios...

O ar reticente na fala, em sua indagação, demonstrava um desespero que urgia, uma dúvida que se justificava no simples fato de que as poucas moedas que tinha agora brilhavam ao serem levadas até os dentes perfilados e brancos da elfa para constatar sua veracidade. Dotada de uma visão aguçada, e de um bom senso exorbitante, Mia conhecia bem dos sentimentos que poderiam ser empregados nas nuances da voz, um leve esgar atípico uma olhadela em falso; aquele homem cometia todos essas ações no curtíssimo espaço de tempo em que contratava seu serviço.

Tomando o silêncio dela seguido de um aceno positivo com a cabeça por uma resposta afirmativa ele agradeceu inúmeras vezes, embora a sombra da incerteza ainda cobrisse seu rosto como um manto enegrecido. Em seu íntimo indagava-se se lhe ocorria que ela por mesmo que um segundo cogitaria fugir sem cumprir sua parte no acordado entre eles. Meneou a cabeça impaciente, exatamente por aquele motivo preferia tratar com os humanos só o necessário. Eram eles quem eram extremamente desonestos mesmo entre os seus, e, embora essa aptidão fosse comum entre todas as raças, o preconceito da ruiva não a permitiria enxergar tão além da situação em que se via disposta.

Observou o outro se afastar e colou a pequena bolsa de moedas na sua mochila de viagem, retirando de lá um dos pergaminhos que havia recebido como prenda em um dos jogos do festival ao qual havia se dedicado. Havia começado a estudar o conteúdo dele há algumas horas, quando correra pelos ouvidos de seus muitos informantes a notícia de que poderiam estar procurando por ela a trabalho naquele pequeno vilarejo um tanto afastado do reino de Cormyr, o que também reforçava o transtorno, tomou para si mesma numa ligeira nota mental. Para sua sorte seu conhecimento em magia sempre lhe permitiu um retorno rápido e satisfatório no aprendizado de novas habilidades daquele tipo.

Permaneceu por mais algum tempo lá, assentada, tendo a sensação de que estava sendo observada enquanto lia e procurava absorver as informações que lhe foram fornecidas para aderir a capacidade descrita nas linhas daquele papel antigo. Não obstante a parte teórica, realizou algumas tentativas até certificar-se de que já estava o mais próximo possível de conseguir, e, só então tornou a guardar o papel e retomou o caminho seguindo a indicação do homem que a havia contratado, sempre alerta a qualquer som ou ação que fugisse a normalidade daquele âmbito tácito e caótico, com exceção de umas onomatopeias gritadas por animais comuns na região.

Ao longe, quando chegara a ter uma vista similar a que outrora lhe foi descrita do local onde se passavam os "ataques", percebeu uma pequena figura roliça na companhia de uma criança que não tardou em retirar-se, visivelmente assustada. Tornou suas passadas mais céleres e, parou alguns passos de distância detrás dele, já com o arco em posição para o ataque e uma flecha flexionada no cordel, presa entre seu dedo médio e indicador destro.

Diziam que era um grande troll, mas devem ter confundido com um pequeno barril de água ardente barata. - ora, ele exalava aquele cheiro! Há metros de distância poderia distinguir a aproximação de um pequeno, no sentido figurativo da palavra, pois essa só se estendia a estatura dele, que era compensada pela espessura de seu corpo achatado, atentou-se ao pensamento vulgar.

Mesmo uma besta incapaz de ver ou ouvir perceberia sua aproximação, pequeno invólucro de banha. - não era de seu feitio ser simpática com outros, e, se tratando de um anão, isso só tornava sua personalidade ainda mais cítrica que o de costume. - Eu tenho um trabalho a fazer e realmente não gostaria de um pequeno - ironizou a palavra com escárnio - certamente antes dele, então nos poupe disso e deixe os adultos fazerem o trabalho sujo, sim?


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Re: [AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Kotramm Ironsmith em Seg Dez 01, 2014 12:38 pm

Troll!


A ponte parecia completamente deserta quando o anão finalmente a alcançou. Não havia muita coisa de incomum para se ver, exceto uma placa bem ao lado da estrutura, que chamou a atenção do ferreiro. A escrita malfeita era a mesma que Ironsmith vira na seta que o levara até aquele local, e inscrito naquela estavam diversos preços diferentes para a travessia na ponte, a depender do que iria atravessá-la. Era cobrado um leão de ouro por pessoa, dois por cavalo e cinco por carroça. Outros animais pagavam vinte falcões de prata. Logo abaixo de todas as taxas, no final da placa, com a mesma caligrafia podre, havia-se escrito a frase “Pague sem reclamar ou o troll vai te pegar.” Junto da placa havia uma grande urna de madeira, onde deveria ser deixado o pedágio. Ainda assim, o ruivo não via nenhum troll, e criaturas gigantes como aquelas não se escondiam com tanta facilidade.

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, no entanto, uma voz feminina chamou-lhe a atenção. Kotramm virou-se para ver uma humanoide ruiva e dona de belas curvas apontar uma flecha em sua direção. Os comentários da elfa irritaram profundamente ao anão. Por mais que este fosse um homem calmo e que não julgava nenhuma pessoa pela sua raça, não deixaria barato para aqueles que fizessem piadas com seu nome, independente da pessoa. No entanto, teria um gostinho maior em revidar se o agressor fosse um daqueles bastardos de orelhas pontudas. O ferreiro sorriu para a garota, empunhando a espada de um modo que deixava claro que lutaria com ela se fosse necessário.

- Ei, você não está um pouco perdida? A floresta das fadinhas coloridas é pra lá – apontou com o indicador para uma direção qualquer, e continuou. – Acho melhor não perder muito tempo aqui, porque a festa das flores e do arco-íris está pra começar.

Dito isso, Kotramm virou-se de costas para a elfa – um ato que poderia ser considerado extremamente estúpido, visto que ainda tinha uma flecha apontada para si – e avançou para a ponte. As palavras da arqueira deram ao anão a confirmação que ele precisava de que o troll era real, e o ruivo queimava de ansiedade por uma batalha há tempos. Ignorando completamente a placa, começou a avançar pela ponte na esperança de que o monstro aparecesse. E mal havia andado cinco metros quando escutou um urro ameaçador sob os seus pés, o que deu ao ferreiro uma ideia.

- Ei, elfa! Quem matar ele primeiro ganha, o que me diz?


Segundos depois, o monstro emergiu da parte inferior da ponte. Vagamente humanoide, tinha quase o triplo da altura do Ironsmith, uma pele verde e pegajosa, com diversos calos. Seus olhos eram assustadores, e suas enormes presas e garras pareciam tão perigosas quanto as armas letais que o barbado criava em sua forja. Após um rugido de estourar os tímpanos, a criatura começou a falar em uma espécie de linguagem distorcida, baseada no idioma comum.

- Não pagar, eu não contente! Pagar dobrado ou matar vocês!

O anão gritou, como em um brado de guerra, e avançou contra o monstro, com a espada empunhada e escudo pronto. Assim que chegou perto o bastante do troll, girou a espada e utilizou-se de um golpe horizontal para tentar decepar a perna da criatura. O ataque no entanto não causou nenhum efeito, e intacto o monstro tentou atingir o ruivo com um soco, que foi parado sem dificuldade alguma pelo escudo. E assim os dois continuaram. Kotramm tentava utilizar diversos golpes com a sua espada, mas nenhum deles era capaz de ferir o troll, ao mesmo tempo em que todos os socos, chutes e arranhões do monstro asqueroso eram nada contra suas defesas.


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Re: [AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Mialee Galanodel em Seg Dez 01, 2014 8:06 pm

Um pequeno barril
sobre a ponte, seria ele o terrível monstro?


Oh, como ele ousa? Permaneceu estática ignorando os desaforos do anão, pois o que deveria surtir como uma resposta a sua ofensa só untou a certeza de que anões eram realmente protagonistas de ações impensadas e cômicas, como já a haviam alertado, além é claro, da desonestidade que também estava impressa em suas ações sempre tão rudes. Ao voltar a si Mia tencionou soltar a flecha do cordel, e realmente o fez, mas a mira alterou-se rapidamente para o monstro que como passe de mágica pareceu surgir sobre a ponte, falando de modo ininteligível uma ameaça que voltara-se ao anão e, pelo que havia entendido, também a ela.

O instinto de voltar-se a maior ameaça presente no local - literalmente, pois o anão com seu metro e meio não era nem de longe tão assustador a luz do dia - mudou a trajetória da flecha e essa passou longe do anão, cortando o ar num assovio certeiro e atingiu exatamente o ponto; o olho direito do monstro, mas ao fazê-lo foi repelida, indo cair em um dos lados dele. De imediato percebeu que algo estava errado, e se o pequeno bolinho de carne pretendia enfrentá-lo frente a frente, era através dele que descobriria o quê.

Fechou os olhos por um instante dando a sua mente a chance de ser bombardeada com as informações pertencentes ao seu pergaminho do voo e, ao abrir os olhos engatou numa corrida breve, impulsionando o corpo para frente ao flexionar levemente os joelhos e então cavalgou nas costas do vento, subindo mais do que desejava a princípio. Em muito tempo lá estava sorriso, o primeiro com alguma sinceridade numa longa passagem tempo, mas era a tatuagem do orgulho, de sua soberba, e ante a nova possibilidade não poderia deixar de tirar sarro novamente do companheiro.

Ei, você parece quase invisível daqui. Não fosse por esse seu avantajamento todo... - riu-se rapidamente mas logo atentou-se outra vez ao alvo, aprontando outra de suas flechas na corda de seu arco e mirando num ponto côncavo entre o pescoço e o maxilar, agora com o campo de visão bem mais amplo por sua nova aquisição.

Para garantir o acerto demorou-se um pouco mais em concentrar-se no alvo, chegando a realizar o tiro e observando a trajetória da seta, frustrando-se novamente com outra de suas tentativas falhas. Deveria se arriscar mais, pensou mergulhando com alguma dificuldade na direção do monstro e descendo com o pé direito mirando o encaixe de seu pescoço perfeitamente. Por ele estar ocupado com o anão o golpe foi certeiro, e dessa vez ele pareceu sentir, pois cambaleou um pouco e terminou por cair ocasionando num enorme som de toda aquela sua corpulência indo bater sobre a água, graças a um golpe do baixinho que parecia olhá-la de soslaio como se já se considerasse vitorioso.

Para a surpresa de ambos, porém, o monstro que até então parecia ter ficado desnorteado ergueu-se numa pressa e atravessando o peso exercido pelo lago em seus passos largos com exímia facilidade. A elfa indagou-se quem exatamente estava voando naquela situação, pois o modo como ele parecia contornar um obstáculo sempre tão incômodo era mais simples do que deveria. Alguma coisa naquela situação estava definitivamente errada, só não podia determinar ainda com certeza o que era.

Num rasante voejou as áreas onde suas flechas estavam e as recolheu, acompanhando o monstro fugitivo que parecia empenhado demais em escapar para quem tinha a vantagem a instantes atrás. Alguma coisa parecia muito fora do lugar naquela situação e amaldiçoava-se por ainda não ser capaz de apontá-la.

Lá está ele! - apontou para o monstrengo que disparou adentro de uma caverna - O que me diz, gordinho? Quer apostar, agora? - ironia pura sibilada num banho de veneno!

Postou-se no solo novamente pouco a frente do anão e correu os olhos pela entrada da caverna; de acesso largo, livre, mas com um ar de mistério e abandono que Galanodel quase jurara que podia sentir na pele. Buscou o olhar do anão e re-aprontou uma de suas pequenas setas laminadas no arco, flexionando-a o máximo que podia e começando um, dois, três passos com velocidade que aumentava a medida que dava um novo, o que parecia duetar perfeitamente co as palpitações de seu coração que seguiam o mesmo ritmo. Sabia que o anão estaria atrás dela e esperava não sentir os olhos dele em nenhum lugar além do objetivo.  


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Re: [AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Kotramm Ironsmith em Qui Dez 04, 2014 2:23 am

Listen

Durante algum tempo, Davi e Golias continuaram a sua batalha furiosa na ponte. Cada vez que o anão girava a sua espada, sedento pelo sangue do monstro, tudo o que via era seu golpe falhar miseravelmente. A frustração só não era maior porque ao mesmo tempo em que cada golpe seu falhava, todos os socos irados do troll também eram aparados pelo seu escudo. De certa forma, Kotramm estranhava o fato do impacto contra a prata ser pequeno demais para uma criatura como aquela, mas o calor da batalha não permitiam que ele raciocinasse direito. E assim ele continuou por alguns segundos, até que viu o primeiro dos projéteis ir de encontro ao olho do gigante... E não causar nenhum dano a ele. O ruivo questionava-se sobre a possibilidade daquilo, não havia modo de um ser como aqueles ser capaz de repelir cada ataque.

Permitiu-se ignorar completamente a elfa, pois em batalha sua mente era focada, como seu pai lhe ensinara. Desajeitadamente recuou alguns passos, de modo que pôde olhar para o rosto do monstro bem a tempo de ser atingido por uma segunda flecha, esta disparada de cima. Kotramm interpretou isso como uma distração, e avançou novamente, para cravar a espada exatamente no pé da besta, prendendo-a à madeira da ponte. Quase ao mesmo tempo, outra flecha acertou-o, e desta vez ambos os ataques pareceram funcionar. Fato que foi concluído graças aos urros de dor que rasgavam a garganta do monstro. Ironsmith retirou a espada do pé do gigante e acertou-o com o escudo, fazendo com que ele cambaleasse e caísse sobre o rio. Em êxtase, o anão sorriu e olhou para a sua ‘parceira’, considerando-se o vitorioso daquela disputa. Aquilo definitivamente faria com que ela engolisse as palavras.

A surpresa do ferreiro foi grande quando o inimigo se levantou. Era como se não houvesse levado nenhum dano, já que mantinha-se de pé naturalmente, apesar do golpe que o derrubara da ponte. Surpreendeu-se ainda mais quando ele simplesmente fugiu, apesar de possuir a clara vantagem naquela disputa. Alguma coisa não se encaixava naquilo tudo, e o anão descobriria o que era, mesmo que tivesse de persegui-lo para isso. Viu quando a besta entrou em uma caverna, e estava prestes a segui-la quando se lembrou da elfa, que pousara – sim, ela estava voando – próxima do anão, disparando mais insultos contra ele.

- A competição continua. Quem matá-lo ganha! – A garota disparou na frente, o que não foi uma completa derrota, afinal... Que visão! Tudo bem que se tratava da elfa que estava a tentar humilhá-lo, mas Kotramm não conseguia deixar de olhar para uma bela mulher – ou quase – quando uma estava correndo logo a sua frente. Com seus passos lentos, o ruivo também correu atrás dela, mas chegou bem depois, com a respiração ofegante e o rosto suado. Usou a blusa para secar a testa e adentrou no esconderijo do troll. Parecia com uma caverna natural. O teto, um pouco maior que a da besta que enfrentava, estava apoiado com madeiras. A única fonte de iluminação do local eram algumas tochas espalhadas pelas paredes sujas, o que fez com que o anão desconfiasse. Trolls não eram habilidosos o bastante para fazer aquilo, tampouco inteligentes.

Assim que deu seu primeiro passo para dentro da caverna um tronco de árvore foi em seu encontro, e seu escudo foi tudo o que impediu que fosse jogado para fora da caverna, mas o impacto foi o bastante para derrubá-lo. Lentamente e com algumas dores, colocou-se de pé, mais desconfiado ainda. Aquilo definitivamente não era o trabalho de um inimigo com inteligência tão baixa. A segunda armadilha estava a poucos metros depois, mas esta foi notada pelo ruivo a tempo. No chão haviam diversos galhos e refugos, e bastou pressioná-los um pouco para que um fosso se revelasse. Com certa dificuldade, o anão contornou-o, e deparou-se com dois caminhos. A caverna continuava à frente, mas havia uma entrada a oeste.

- Eu vou por aqui. Você decide seu caminho – falou apontando para o caminho a oeste. Seguiu por este até chegar a uma área circular. Nesta pôde encontrar um fino colchão feito com palha, pedras para fazer fogo, uma lanterna sobre uma mesa bastante envelhecida e um barril cheio de óleo, ao lado de outro vazio – provavelmente usado para queimar a outra ponte. Analisando uma pequena almofada sobre o colchão, Kotramm pôde encontrar alguns livros antigos, embrulhados em retalhos de couro. Abriu o primeiro destes, e leu um pouco. Pelo que pôde notar, eram instruções de como se criar ilusões. Foi então que percebeu que estava lidando com um mago, e não com uma criatura medonha.

- Acho que você vai usar isso melhor, fadinha - Atirou os livros para a elfa, e correu para o outo caminho, até chegar em um local bem parecido com o anterior. Nesse encontrou diversos objetos roubados, desde anéis de ouro puro até punhais feitos com bronze. Várias moedas, tanto de ouro quanto de prata e cobre chamaram a atenção do ruivo, que não pôde evitar pegar um pouco daquilo para si. No momento em que guardou o ouro, no entanto, uma chuva de pedras começou a cair sobre ele. Ergueu seu escudo para se proteger, procurando aquele que estava atirando os projéteis.

E então viu o ser, de pé sobre um pedra de meio metro que segundos antes não estava ali. De alguma forma tinha conseguido ocultar-se. Tinha uma altura bem menor que a do anão, com pele da cor de madeira, cabelos louros e olhos grandes e furiosos , com íris azuis que encaravam o ferreiro e uma barba rala da cor dos cabelos. Kotramm avançou na direção do baixinho, mas este era rápido demais para ele. Facilmente conseguiu esquivar-se de sua lâmina e tentou correr para fora da caverna, com o ruivo em seu encalço.
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Re: [AVN] Dangerous crossing

Mensagem por Mialee Galanodel em Sex Dez 05, 2014 7:18 pm

Um pequeno barril
sobre a ponte, seria ele o terrível monstro?


Questionada posteriormente sobre a possibilidade a sua atuação em qualquer cenário com um anão, a resposta seria polida de seu sarcasmo e demarcada de sua ironia. Como poderia admitir que em algum minuto de toda a longa vida o faria? Àquela altura já havia se rendido a ideia de guardar o segredo, afinal, ninguém precisava saber que ela esteve ao lado de um pequeno.

Ignorou tudo que ele chegou a resmungar durante o percurso, rolando os olhos esmeraldas em um desdém tácito que só poderia ser notado de outra maneira se ouvido atentamento ao deslizar de seus lábios graciosos em pequenas maldições por estar acompanhada. Em suma, pior ainda, por um exemplar da desconfiança.

Quando ele apontou para onde iria estreitou os olhos, avaliando as opções que tinha - notando que não havia muito para se escolher até então e seguiu no encalço dele, mantendo alguns passos de distância dado a observação minuciosa que dedicava a todos os corredores porquê passavam, na esperança de encontrar qualquer pista que lhes fosse ajudar no que estavam prestes a acontecer.

Olhou para o pedacinho de ser que andava a sua frente e estranhou o fato de, pela primeira vez não o estar julgando, quando finalmente alcançaram uma sala e ele ao remexer em alguns pertences atirou-lhe alguns livros que confirmava suas suspeitas; não estavam lidando com um ser desinteligente qualquer. Havia magia ali. Agarrou o livro que ele jogou devido a flecha que tinha em mãos, mas depois de voltar com essa pra aljava abriu rapidamente o livro e folheou interessada.

Cada página que lia de relance faziam uma certeza maior permear sua mente... aquele tipo de mágica só poderia pertencer mesmo a um povo sem nenhuma ética, ambiciosos como o outro que agora cobiçava os pertences adquiridos com o pedágio da ponte situada no ponto em que se encontraram. Talvez, pela primeira vez Mia houvesse pensado nele como um parceiro ideal para aquela situação, pois pelo que conhecia do ser que desconfiava ser o dono, logo menos ele iria se irritar e se concentrar no anão, o que permitiu se esgueirar pelo estreito entre as concavidades da caverna e aguardar, absorta na ideia de pegar a pequena criaturinha.

Quando ouviu os passos deste que havia - com toda certeza no mundo - despistado o anão, colocou o pé direito na frente dele, mas para sua surpresa o bichinho pulou e sua agilidade com as duas perninhas curtas e horrendas que tinha não eram equivalentes. Injusto, não fosse por... A elfa apertou os olhos e outra vez viu seu corpo suspender-se no ar, dando início a um aligeirar aéreo com o qual não tardou em acabar alcançando o pequeno mágico, que com um acenar de mãos a fez se desequilibrar e rolar pelo chão, mas aquilo não seria o suficiente para tirá-la de combate.

Queixando-se de algumas dores - arranhões superficiais - e praguejando ao anão, Mia apoiou-se no joelho esquerdo, sacou uma de suas flechas e, mirou o tendão no calcanhar direito do anão, que escalava um monte de rochas altas com maestria e estava prestes a fugir, quando finalmente liberou a pressão que exergia na seta e a viu ganhar o ar indo exatamente na direção em que fora apontada, mas, com outro aceno - que lhe custou um tombo, dessa vez -, o duende conseguiu fazer a flecha desviar-se um pouco de trajetória, mas não o suficiente para feri-lo a ponto de impossibilitá-lo de andar.

Armou-se com uma de suas flechas e apertou essa no peito do pequeno, olhando-o nos olhos com um desprezo misto de fúria.

Qualquer gracinha e você já sabe o que acontece, não é? - Não pensava em matá-lo sem conhecer as razões dele, ou sem antes ver o que o anão pretendia. Era sim um poço de arrogância e desinteresse por outras raças, mas preferia matar apenas quando preciso. Talvez o pequenino ainda tivesse uma carta na manga também, no fim das contas...

  


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