[EMP] art and craft the wild

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[EMP] art and craft the wild

Mensagem por Grochak em Seg Dez 01, 2014 8:05 am


Caça ao domo

 

As florestas de Cormyr escondem surpresas que vão além da imaginação, e ninguém melhor do que eu para saber disso. Meu ofício não era fácil, muitas vezes nem mesmo prazeroso tomado a raiva que muitas vezes assola um domador quando sua presa escapa. O clima estava um tanto quanto agradável para uma manhã após chuvas tão tempestuosas. A grama e terra molhada exalavam um odor tão agradável, familiar e íntimo quanto a torta de carne que minha progenitora fazia, isso é claro antes que ela viesse a falecer.

Trajando botas negras, uma camiseta acizentada feita de um saco de batatas vazio, luvas também negras e uma calça de couro marrom presa por um cinto, subia as campinas em direção ao cenho da floresta. Sobre o sol nascente, meu objetivo naquele dia estava um tanto quanto desenhado em minha mente, domesticar um texugo. Não sabia ao certo o por que ansiava tanto para conseguir uma daquelas criaturas, talvez por serem um tanto quanto divertidas ao crescerem, o importante era o fato de saber que “Com o Grok aqui, missão dada é missão cumprida”.

Portando uma rede de fios de couro traçados, desejava que aquelas criaturinhas não estivessem de brincadeira, me zangar era a última coisa a qual desejava. Os rastros de texugos são tão difíceis de se encontrar do que agulhas em um palheiro, como odiava as vezes aquelas perninhas curtas que mal deixavam pegadas sobre o solo. Para minha felicidade, o solo úmido sempre fora um grande aliado de caçadores, marcando o caminho que as presas traçavam em meio a seu desespero por tentar se afugentar de seus algozes.

Agachando em meio a relva, analisava cada centímetro do solo, tentando encontrar algum sinal que pudesse caracterizar a presença de algum daqueles animaizinhos que procurava. Longos minutos após uma varredura precisa em meio ao começo da floresta, adivinha qual a fabulosa pista que encontrei? Nenhuma. Aquelas pequenas praguinhas sabiam se esconder como ninguém. Lembrando-me das lições básicas que recebia quando mais novo de meu tio, o honrado Khajiit que me ensinou os ossos do ofício, animais como os texugos cavam tocas em meio a terra; talvez aquela fosse a resposta para meu problema.

Buscando em meio aos arbustos e troncos de árvores algum sinal de tocas escavadas, sabia que paciência era o que mais precisaria ter, muita paciência. Horas e mais horas foram gastas em meio a procura de um dos refúgios daqueles guaxinins paraguaios. Encontrando uma em meio a um nó de um tronco, com toda a minha vontade colocava uma de minhas mãos dentro do buraco, agarrando com firmeza algo um tanto quanto fofo.

Sorrindo satisfeito, estava começando a dar gargalhadas de alegria, quando vi o que tinha agarrado. Peludo e fofo, um coelho de pelugem cinzenta chacoalhava, tentando se libertar da pressão que fazia sobre seu corpo. – Mas que porra! – Um tanto quanto irritado, jogava o animal para um canto, se estivesse tentando capturar um coelho, ele certamente não iria ser encontrado assim tão facilmente. Pisando com passadas firmes sobre o solo, nem mesmo o canto dos pássaros e o aroma das flores me acalmavam.

[...]

Mal humorado e com suor já começando a escorrer pelo meu rosto, culpa do sol que com o avanço da hora ficava mais quente, começava a sentir o cansaço daquela tarefa. Desabando de joelhos em uma posição felina sobre o chão, uma ideia passava pela minha mente. Dando um golpe furioso no solo úmido e fofo, sentia a metade de meu braço entrar na terra, e minhas mãos agarrarem algo. Flexionando meu ombro para trás, sentia minha mão saindo do solo, com um furioso texugo se debatendo, preso pelas minhas garras.

Como alegria de Khajiit dura pouco, com uma dentada um tanto quanto dolorosa, o animal fugia de mim, começando a correr em linha reta. Apesar dos segundos que levei para conseguir alguma reação, com minhas pernas maiores e superiores as do bichano, corria com vontade atrás de si. Três, dois, dois e meio, um metro! Estava bem atrás da criatura, quando flexionei meus joelhos, preparado para dar um belo pulo.

Sentindo meus pés se desgrudando do solo, instintivamente minhas mãos iam para frente de meu corpo, mirando a minha presa em meio a sua tentativa de fuga. Antes que eu pudesse fazer algo, o maldito texugo entrou em uma toca, fazendo com que eu espatifasse de cara na terra lamacenta. – Haaaaagr desgraçado! – Furioso com o maldito animal, jogava parte da terra para um lado, começando a escavar a toca. – Volte aqui sua praga! – Infelizmente eu não era tão rápido quanto ele, assim perdia minha presa de vista.

Sentando no chão, retirava a sujeira de minhas mãos como podia, enquanto resmungava vários palavrões para o vento, todos direcionados á aquela criatura diabólica. Antes que pensasse em desistir, com uma aparência de insulto, um outro texugo olhava para mim, como se tentasse entender o que eu fazia, ou como se risse da cara do domador palerma que caiu de cara no chão.

Lentamente e tentando não efetuar movimentos bruscos, ficava de pé. – Vem aqui bichinho, titio não irá fazer mal algum para você. Apenas quero... te dar um pouco de comida. – Aquele animal era idiota ou se fingia de imbecil, pois nada fez além de continuar me olhando. Dando um passo em sua direção, notava que o mesmo aparentemente já pensava em fugir. – Não amiguinho, vem para a minha direção. – A cada passo que dava, o bendito parecia mais determinado a fugir. – Não na... nãoooooo! – Antes que pudesse me aproximar o suficiente dele, o palhaço peludo corria em direção contrária, buscando provavelmente mais uma entrada para aquela toca infernal. – Dessa vez não! – Correndo em sua direção, armava com minha mão direita a rede. Quando faltava não muito mais do que alguns centímetros para minha presa escapar, com toda a minha força joguei a rede sobre ele. Vendo a treliça de couro cobrir o texugo, sorri vitorioso, minha vontade era de dar pulos de felicidade.

Apesar de ter agido mais como um caçador do que um domador, vagarosamente aproximei de meu mais novo amiguinho. – Não se assuste, está tudo bem.... Sei que gosta de sua família e de seu lar, mas também irá gostar do povo de Cormyr. – Segurando com firmeza o animal, retirava de si a rede, acariciando seus pelos marrons, seu rabo com listras pretas e as manchas brancas de seu rosto. Retirando um pedaço de queijo do bolso, entregava ao ser. – Vamos, hora de conhecer seu novo lar. – Satisfeito pelo meu dia de trabalho, o sol já começava a castigar meu corpo com sua elevada temperatura, momento mais do eu oportuno para retornar á minha casa, tomar um banho e descansar.



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Re: [EMP] art and craft the wild

Mensagem por Goddess em Seg Dez 01, 2014 11:44 am

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 13 pp.

Eis o tópico para suas tentativas com os dados; dados oficiais

A narração virá aqui mediante o resultado dos dados.

Como avaliação do texto em si; marvilhoso. Adorei o modo como descreveu as falhas e os sucessos de sua tentativa, e, o post teria sido perfeito não fosse por três coisas que eu julguei meio incômodas, sendo uma correlativa a estética, e as outras duas a leves incoerências de sua parte.

Em primeira instância, gostaria de sugerir que você separasse um pouco melhor as falas de suas ações. Você poderia usar cores distintas, ou até separar em par[agrafos diferentes, e isso tornaria seu texto de tanta qualidade ainda mais envolvente.

Quanto aos outros pontos, segue a explicação; primeiro, você arriscou enfiar a mão ao se abaixar até altura do solo e simplesmente teve a sorte de encontrar justo o que procurava? Achei que faltou uma explicação plausível para sua tentativa de meter o braço terra afora, mas não vejo isso como uma grande falha. O último, por sua vez, achei mais evidenciado... Sabe-se que tudo o que pretendemos citar nos nossos post's deve ser citado numa primeira oportunidade, e em momento algum eu o vi falar de uma rede, exceto quando ela simplesmente apareceu convenientemente quando você precisava em suas mãos. Falando como narradora, foram os únicos pontos em que achei que você pecou, mas isso não diminui em nada seu mérito, excetuando o apontado a trama foi objetiva, interessante e até dotada de um humor que prende a atenção do leitor.

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Re: [EMP] art and craft the wild

Mensagem por Grochak em Ter Dez 02, 2014 7:45 pm


Brejo maldito

 

As vezes o trabalho de domador nos leva até as alturas, outras vezes até lados ocultos do reino; mas naquele dia em especial, eu estava praticamente mergulhado  na merda. Caminhando em meio aos pântanos de Cormyr, sentia aquela mistura de água, lama e dejetos animais dificultando meus movimentos. Minha bota negra e minha calça marrom estavam imundas, encharcadas e pesando muito mais do que de costume.

O odor que minhas narinas sentiam atormentavam meu cérebro. Moscas e outros incontáveis insetos voavam por toda a extensão do lugar, talvez aquele fosse o principal motivo pelo qual estava ali, já que froghos tinham aquelas pragas como seus pratos prediletos. Apesar de todo suculento banquete, estava um tanto quanto difícil encontrar aquelas criaturas em meio a todos os sapos comuns, principalmente por precisar mudar minha rota quase a todo momento, evitando encontros não tão amigáveis com alguns crocodilos.

Meus instintos e habilidades eram praticamente nulas naquele terreno, ainda não tinha conseguido lembrar-me de qual teria sido a “genial” idéia que me levou até aquele local. Como muitos diriam, se está na merda termine de se afundar. O clima levemente frio fazia com que minha espinha dorsal tremesse,mandando calafrios por todo o meu corpo. Não encontrava terra firme fosse para qual direção olhasse. Minha mente mandava sinais de desistência, mas eu não iria voltar de mãos abanando, não naquele dia.

[...]

Ao longo de minha procura por aqueles “sapos evoluídos”, minhas pernas começavam a ficar tremulas e com câimbras, como odiava aquele local. Meus olhos lagrimejavam com a quantidade de gás metano acumulado em alguns pontos ,e pela breve ausência de luz em alguns cantos. Em meio a algumas passadas rápidas de olho pelas plantas, foi ao visualizar uma língua comprida saindo de meio a algumas vegetações que algo me chamou a atenção. Diferente dos demais anfíbios, um ser verde de olhos amarelados, costas rugosas e que andava sobre as patas traseiras, mastigava o que restava de uma libélula; aquele era o animal que procurava. Medindo algo em torno de cinqüenta centímetros, o frogho descontraidamente se banqueteava com sua refeição nojenta.

Sem querer assustar e afugentar o bichano, dobrava meus joelhos, fazendo com que a água lamacenta atingisse a altura da região de meu plexo solar. Andando lentamente, mantinha as orbitas de meus olhos fixadas no anfíbio mágico. Sua beleza era quase nula, seu aspecto nojento certamente assustaria algumas donzelas mortais desconhecedoras de sua maravilha. Graças aos estudos feitos, quando ainda era um jovem Khajiit em treinamento para um dia ser um grande domador, sabia de todas as capacidades e habilidades que aquela “aberração” possuía.

Sem fazer barulho algum, chegava cada vez mais perto da criaturazinha. – Olá caro amigo guardião desses pântanos, não é um belo dia? – Optando por uma abordagem mais amistosa, me perguntava se ele entendia o que eu dizia, já que sua única reação foi olhar para mim com seus olhinhos esquisitos. – Não irei fazer mal a você, apenas... venha até a mim. – Provavelmente era difícil ele acreditar que alguém com a minha aparência não faria algum mal, mas tentar não paga imposto.

Vendo que nenhuma reação era esboçada pelo frogho, era hora de ser um pouco mais ousado. Pegando um graveto em meio a lama, apontava para ele, o encorajando de subir. Por um curto momento de tempo acreditei que daria certo, eu não sabia de nada mesmo, muito inocente. Após dar dois passos em minha direção, o bendito pulou para trás, indo aterrissar acima de uma vitória-régia. Não podia deixá-lo escapar, apesar de que vantagem alguma me era creditada no habitat natural do animal. Começando a correr o mais rápido que podia, sentia o peso do lamaçal frear meus movimentos bruscamente. Retirando de meu cinto a rede que carregava comigo, sentia que até usá-la seria complicado, já que estava suja e pesada.

Vendo que o frogho começava a pular em meio as folhas, apenas tinha uma única chance de acerto, uma única oportunidade ou infelizmente seria apenas mais um dia jogado no lixo, menos dinheiro em meus bolsos e um animal a menos capturado para ser domesticado. Com um difícil movimento de braço, lançava a rede para o alto, confiante que ela poderia cair sobre meu “amiguinho”. Apenas podendo observar esperançoso, quase soltei uma sonora gargalhada quando vi o couro entrelaçado acertando o bichano em meio a um pulo, peixe na rede. Sem mais tanta pressa, caminhava até o local aonde animal e rede tinham caído emaranhados.

Desenroscando ambos e assegurando que o frogho não escaparia, comemorava com um sorriso meu sucesso. – Calma jovem “gafanhoto”, não irei fazer mal. – Antes que algo a mais pudesse ser feito para acalmar a criatura, notava algo um tanto estranho, como se estivéssemos sendo observados. Envolvendo o animal em minhas mãos, poucos foram os segundos de reação que pude ter. Um crocodilo um tanto quanto grande pulava sobre mim, provavelmente querendo obter uma deliciosa refeição.

Usando o peso de seu corpo contra si, o apoiava em meu ombro esquerdo, fazendo com que o mesmo caísse para trás de mim. – Droga! – Tentava correr mas meus movimentos eram lentos, eu estava ferrado. Não demorou para que o predador natural daqueles pântanos surgisse atrás de mim, teria que lutar. Colocando o frogho dentro de minha blusa, pegava uma faca de caça de minhas vestes. – Morra maldito! – Mas o crocodilo era avassalador. Sendo puxado para baixo do lamaçal pelo peso d criatura, debatia meu corpo contra o dele, tomando cuidado para que meu novo amigo não se perdesse ou fosse morto. Minha faca enfim conseguiu encontrar a pele áspera de meu oponente, e com toda a minha força e raiva, a enfiava com mais vontade, rasgando o “senhor croc” com minha lâmina. Submergindo, foi um alívio gigantesco sentir o oxigênio de volta aos meus pulmões.

Pegando de minhas vestes o animal alvo de minha cobiça, acariciava sua cabeça. – Está bem? Iremos para casa, não se preocupe. – Talvez pelo susto sofrido, ele já não tentava mais fugir, como se pensasse que de fato comigo estaria mais protegido. Saindo daquele inferno terrestre, apenas desejava ir para meu lar, tomar um banho e descansar após aquele dia tão trabalhoso e cansativo.




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Re: [EMP] art and craft the wild

Mensagem por King em Sab Dez 06, 2014 5:43 pm

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 11 pp.

O texto é bom, a escrita não me prendeu, mas também não me deu vontade de fugir dela, então acho que não preciso comentar muito sobre isso, vou falar mais sobre conteúdo. Primeiro ponto que quero ressaltar é o final, o embate totalmente desnecessário contra um jacaré. Talvez a ideia tenha sido de que, lutando contra um monstro, o Frogho se sentisse mais "protegido" pelo possível novo dono, mas achei desnecessário, poderia ter gasto mais tempo com outras coisas do que com isso.

Outro fato que me incomoda um pouco é a forma de capturar a criatura. Ok, a rede não é má ideia, mas capturar e domar são palavras diferentes. Tudo bem, não é todo animal ou monstro que vai te seguir de boa fé, sentar para tomar um café contigo e resolver virar seu amigo, mas pelo menos o ganhar no cansaço. Tentativa e erro, persistência, correr atrás da criatura, cair na lama, até então o capturar. E qual seria a diferença? A diferença seria a insistência, ganhar do monstro na teimosia, isso impõe algum respeito, mostra que você realmente está interessado. Esqueça criaturas irracionais, os monstros de Faerûn em sua grande maioria são totalmente racionais, pensam, possuem sociedade e língua própria, são capazes de pensar e se comunicar.

De qualquer forma, o texto foi agradável, então, está aí sua recompensa. Lance os dados necessários na área de sempre, colocarei lá as informações necessárias para saber quais dados precisa lançar e o motivo.

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Re: [EMP] art and craft the wild

Mensagem por Grochak em Dom Dez 07, 2014 5:43 pm


Penas negras

 

A escuridão noturna é berço de maléficos seres, mas também de bárbaras criaturas fantásticas. A noite estava harmônica e tranquilamente esplêndida nas penínsulas de Cormyr. Como um lobo solitário desejoso de obter sua refeição diária, acampava em meio ás estacas de pedra naturais. Em minhas bagagens, pedaços de carne em decomposição eram mantidas bem embaladas, seriam minhas iscas para chamar a atenção dos lendários corvos que habitam o local.

Vestido com uma grossa roupa feita de couro animal, sentia o vento ligeiramente gélido acariciar meus pelos faciais. Após a longa jornada que seguia em busca de animais para domesticar e estudar, o cansaço começava a surgir em meio ao meu semblante. Com toda a sutileza e cuidado necessário para não alertar lobos e demais predadores naturais da península, colocava armadilhas feitas de madeira, simples gaiolas que poderiam ser o suficiente para prender um daqueles corvos. Em seu interior, pedaços da carne eram milimetricamente colocados, uma isca perfeita para animais tão compulsivos. Voltando para o escasso conforto de minha tenda improvisada com pedaços de madeira e seda, deitava sobre o chão praticamente, fechando meus olhos felinos e adormecendo rapidamente, pensando em quais boas surpresas poderia ter ao acordar.

Em meio aos meus sonhos, avistava um ser de penas negras descendo por entre a lua, com seus olhos vermelhos penetrantes e um ar de malicia. Com sua aproximação majestosa, esticava minhas mãos, tentando alcançar seu semblante. Ao aproximar meus dedos de seu bico, um uivo amedrontar pode-se ouvir como um aviso de perigo, como se tocar aquela criatura não fosse ser tão fácil como desejava. Ao abrir meus olhos instantes depois, ouvia um barulho conhecido, semelhante com algo que no sonho me afligia, o uivo de um dos lobos gigantes.

Levantando com um pulo, sentia meus sentidos ainda sonolentos, estava embriagado pelo sono. Correndo até fora da tenda e acendendo uma tocha, avistava um lupino de pelos tão prateados quanto o luar, ajoelhado ao chão se deliciando com um dos meus pedaços de carne. Não muito distante dali, um bando de corvos se digladiava pelo alimento encontrado, que a principio era pouco para a quantidade de aves.

Jogando maldições aos ventos por aquela criatura selvagem estar ali, pegava minha rede e minha faca, andava silenciosamente em direção ao lobo. A cada passo dado, meu corpo ficava mais nervoso, sabia que não era uma boa brigar com um animal selvagem naquelas condições, mas também não podia assisti-lo devorar minhas armadilhas e quem sabe assustar os corvos. Suor frio escorria pelo meu rosto, minha garganta secava como um rio em época de seca; mas precisava continuar.

A proximidade já era grande, quando estupidamente pisei em alguns pedregulhos e desequilibrei o corpo, quase caindo e fazendo barulho o suficiente para a fera notar minha presença. Segundos de nervosismo fizeram com que um calafrio percorresse meu corpo, quietos e sem nenhum barulho fazer, meus olhos e os olhos selvagens do ser se cruzaram, como se ambos apenas estivessem paralisados pela surpresa de terem companhia e de não poderem cumprir em paz seus objetivos. Passado a surpresa, o animal avançou em minha direção, grunhindo com seus dentes a mostra.

Sem minha mente esboçar muita reação, apenas joguei o peso de meu corpo para o lado, esquivando da investida. Não tinha tempo algum para descansar ou pensar, com toda a sua ferocidade, o lobo novamente investia contra mim, dessa vez dando um salto com suas garras a mostra. Instintivamente, abaixei meu corpo, e usando meu braço esquerdo, alavancava o corpo do animal, acertando sua barriga e o fazendo cair ao lado, desenhando um semi-círculo sobre o ar.

Retirando minha faca da bainha da calça, respirava ofegante, não por estar cansado, mas por toda a rapidez com que tudo tinha acontecido. Ainda com meu braço esquerdo, apertava o pescoço da criatura, forçando sua goela e dificultando sua respiração. Com muito pesar por ter de ferir um bicho, para poupar o sofrimento do lupino, descia a mão direita que segurava a faca, indo prontamente em direção a sua jugular. Um golpe, um único uivo curto e muito sangue, pelo menos um dos meus problemas tinham sido sanados.

Retirando a faca do pescoço do falecido, e deixando o corpo ali mesmo, levantava do chão, com pesar em minha consciência e olhos tão distantes quanto o horizonte. Olhando ao meu redor, notava que com o agito do combate, os corvos tinham se assustado e ido embora, grande merda aquilo tudo. Voltando para minha tenda, sentava no chão, procurando um pedaço de pano e meu cantil com água. Bebericando um pouco do líquido, com o pano secava o suor que escorria em minha testa, assim como retirava o sangue de minha faca. Sentindo o cansaço e a frustração envolverem todo o meu ser, sem mais nada fazer, deitava e apagava ali mesmo, dormindo como um gato em meio a uma cama de bolas de lã.

[...]

Ao acordar, sentia a brisa ainda quente do crepúsculo invadindo a tenda e acariciando meu corpo, como se convidasse minha pessoa a se levantar. Esfregando meus olhos, espreguiçava ao som de gralhas, sentindo o pesar de algo que parecia ser mais uma tarefa fracassada. Saindo para olhar o céu, notava que ao redor do corpo do lobo morto, uma quantidade ainda maior de corvos se alimentava do corpo. Soltando um sorriso em meu semblante, pegava cuidadosamente minha rede, mal acreditando no que via. Em passos tão vagarosos e silenciosos como o de um gato, aos poucos aproximava dos animais, preparado para meu grande lançamento.

Com um único movimento de braço, via a rede voando e caindo acima das aves negras, bingo! Mas antes que pudesse elaborar uma comemoração efetivamente, os corpos dos pássaros começavam a se transformar em névoa. Grandes como eram em sua maioria, bem diante dos meus olhos eles escapavam, o destino deveria me odiar. Indo checar a rede, em meio a tristeza uma pontada de alegria emergiu. Emaranhado aos fios de couro entrelaçados, um filhote de corvo estava preso, totalmente frágil e abandonado pelos seus pais.

Acomodando-o em meio as minhas mãos, olhava seus belos olhos amarelados que pareciam confusos. – Está tudo bem amiguinho, cuidarei de você. – Voltando para a tenda, pegava uma das gaiolas usadas nas armadilhas e colocava o bichano, jorrando um pouco da água do cantil em um vasilhame que carregava. – Amanhã mesmo iremos para casa, agora apenas descanse. – Sorrindo de alegria, já imaginava o quão perfeito seria retornar a capital com aquele maravilhoso animal.


Observação:
Sim eu sei que coloquei que os corvos comem carne, sendo que no bestiário diz o contrário, mas é um fato explicado. Pela geografia e arenosidade da região em que foi citada na narrativa, eles não possuiam grandes escolhas de alimentos, sendo que o que era oferecido para eles, comiam sem qualquer problema.


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Re: [EMP] art and craft the wild

Mensagem por Gabs em Dom Dez 07, 2014 7:44 pm

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 18 pp+Corvo(dado já lançado).

Não tenho muito a dizer sobre o texto. Eu gostei da alternativa que você usou pra fugir do clichê nesse tipo de missão, enfrentando o lobo no lugar de um corvo adulto ou algo do tipo. A ortografia também foi excelente, e eu só pude notar erros simples. Ainda assim, duas coisas me incomodaram na narração. A primeira foi o uso demasiado de verbos no pretérito imperfeito que fizeram com que eu me confundisse algumas vezes, e a outra foi a repetição de alguns sons(sentia os sentidos, soltando um sorriso, olhava seus olhos...) que podem tornar a leitura cansativa. Tome mais cuidado com isso para melhorar ainda mais.

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Re: [EMP] art and craft the wild

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