[EMP - Domadora] ♣ I choose you... Go!

Ir em baixo

[EMP - Domadora] ♣ I choose you... Go!

Mensagem por Pandora Fireheart em Dom Dez 07, 2014 9:31 pm

I will conquer you



A minha mão ao chocar-se contra a pele de meu pescoço produziu um som abafado de tapa. Uma careta de desgosto tomou minha face, disputando com a expressão de cansaço. Fazia dias que havia decidido capturar um Falcão Real e parti em direção as Terras Rochosas. Não havia sido a toa que tinha escolhido especializar-me na arte de dominar animais. A aventura de perseguir, rastrear e capturar outro ser, o domando e conseguindo – ou não – a sua lealdade... Era um sabor que apetecia a minha conduta.

O falcão real era um desafio por si só, pois diferente das outras aves de rapina. As asas pontiagudas favoreciam a velocidade de voo, por isso os falcões não eram aves de ambientes florestais. Eles preferiam áreas montanhosas e penhascos, pradarias, estepes e desertos. O que me levava a aventurar-me nas Terras Rochosas em busca da espécime. Porém, mesmo que estivesse no local propício a capturar e domar a ave, a presença de pequenos grupos militares inimigos pareciam assustar a fauna do lugar, os mantendo bem escondidos. Assim como eu também o tinha de fazer para não arranjar uma encrenca maior da que poderia lidar.

Estava no alto de uma rocha, mãos nas cinturas enquanto meu olhar azulado varria a imensidão a minha frente. O dia logo viraria noite, minha mochila lateral estava leve, denunciando a falta de recursos depois de tanto tempo de viajem. Sabia que eu deveria recuar e procurar um vilarejo para poder reabastecer e descansar. Era o mais sábio... Mas a teimosia falava ainda mais alto em mim. Eu sabia que estava perto e que bastaria procurar um pouco mais a área que não tinha vasculhado ainda. Já pensava em descer e procurar uma caverna segura para passar a noite quando avistei sinal de fumaça. Provavelmente um desses grupos militares errantes e de conduta duvidosa.

Duas opções bailavam em minha mente. Manter-me distante e segura, ou ousar e tentar a sorte do destino. Infelizmente eu não era do tipo de garota humana que buscava pela segurança. Meu coração disparava só de pensar no que poderia acontecer. Loucura? Talvez, preferia nomear esse sentimento de coragem e bravura. Porém, por mais que tenha decidido aproximar-me, o fiz de maneira cautelosa. Esgueirei-me pelas sombras das grandes formações rochosas, tentando não ser vista a cada vez que me aproximava mais da fumaça.

Deparei-me com um pequeno acampamento de saqueadores. Eles estavam bebendo ao redor de uma fogueira, pareciam exausto e já começavam a falar alto. A maioria era humanos, mas ali tinha halfling e até mesmo um argoniano. Contei cinco homens, nenhuma mulher. Soltei um suspiro os observando por mais tempo, deixando que se embriagassem por mais tempo. Se resolvessem atacar, a falta de coordenação motora provocada pela bebida seria uma grande vantagem. Passou-se quase uma hora, meus músculos reclamavam da falta de movimento, mas só assim senti-me segura para aproximar, deixando a minha bolsa escondida junto com minha arma atrás de uma pedra.

-Oh, finalmente encontrei ajuda! – disse fazendo um leve tom desesperado e aliviado, minha atuação era boa, mas com aqueles homens bêbados eles acreditariam em qualquer coisa – Bravos homens, eu estava com tanto medo de passar essa noite sozinha!

-Uma donz-hicc-ela! – um dos homens humanos exclamou surpreso, soluçando embriagado ao falar.

-O que uma dama faz tããão longe de um vilarejo? Não sabe que há pessoas perigosas por aqui? – o halfling provocou.

Todos eles riram feito retardados e eu contive a vontade de revirar os olhos e bufar, ao contrário, exagerei ainda mais em minha dramatização, meus olhos começavam a transbordar falsas lágrimas.

-Estava fazendo uma travessia com minha caravana quando... Quando nós fomos a-tacados – funguei e limpei as lágrimas – Por favor, deixe-me servi-los mais com a bebida, em troca, só peço proteção para homens que parecem tão guerreiros!

-Isso sim é uma mulher! – um dos homens mais baixos exclamou, puro machismo típico – Sirva-nos e nos entretenha!

Dei um sorrisinho convencido por eles terem caído tão fácil naquela conversa barata. Eu os servi, rezando para que apagassem em um sono profundo de uma vez. Em troca, tive de aguentar as piadas, as mãos que passavam em meu corpo como se fossem um objeto. Tive de conter toda a minha vontade de correr, pegar minha espada e decepar ambas as cabeças daqueles seres masculinos. Infelizmente tive de esperar demais para que todos estivessem adormecidos.

Não era uma ladina propriamente dita, não tinha as vantagens que esse ofício proporcionava. Mas também não era boba de não aproveitar as chances que a vida me dava. Assim que eles apagaram, comecei a vasculhar itens que fossem me auxiliar naquela empreitada apenas. Não era de roubar coisas inúteis para levar para casa. Peguei um pouco de mantimentos, uma rede e uma corda. Era o necessário apenas para poder sobreviver uns dias mais naquela área rochosa. Completado o pequeno furto, fui pegar minhas coisas e buscar um lugar para descansar. Era perigoso me afastar, mas também seria perigoso permanecer. Eles eram cinco e eu apenas uma, mesmo que armada e com alguma experiência em batalha, eu não conhecia o inimigo o suficiente para arriscar dessa forma.

Encontrei uma pequena caverna, não tão funda o suficiente para impedir o frio gélido da noite invadir. Mal dormir por ter os dentes batendo um contra o outro em resposta ao clima severamente frio, mas assim que o sol se propôs a erguer-se no horizonte, estava levantando e me afastando ainda mais daquele acampamento com homens bêbados adormecidos.

Caminhei por horas mais uma vez, adentrando cada vez mais aquele terreno rochoso. Estava cogitando seriamente desistir quando escutei um piado alto. Meu coração errou uma batida quando ergui o olhar e vi finalmente o voo perfeito de uma ave. Não pensei duas vezes quando corri para uma rocha mais alta, a escalando para ter uma visão maior, meu olhar se dividindo entre o céu para não perder a ave e a minha escalada. Era pequeno para seu tamanho, provavelmente um filhote que tinha acabado de aprender a voar. Antes de fazer qualquer coisa, eu tinha de observar a ave, atacar do nada seria imprudente e impossível, já que ela estava no alto. O falcão real voava rapidamente em círculos, provavelmente buscando a sua presa e não obtendo sucesso. Ele voou para o topo de um precipício.

“Merda!” Pensei ao olhar a altura do lugar. Era óbvio que eu não poderia escalar tudo aquilo para poder alcançar o topo e o meu alvo apenas voar para longe. Resmunguei e levei um tempo pensando em como fazer a ave descer e cair em uma armadilha. Eu queria o animal ainda vivo, o que retirava qualquer possibilidade de ataque mortal contra a ave. O tempo que levou, observei a ave sair mais uma vez em busca de refeição, seus piados aumentando aos poucos. Estava faminta, mas os animais da região tornavam-se cada vez mais difíceis de serem encontrados.

Foi no meio da tarde, enquanto comia uma fruta roubada do acampamento quando pensei no meu plano. Se a ave não conseguia o seu alimento, eu só teria de bolar uma armadilha que incluísse um!

“Brilhante Panda, mas como você vai encontrar uma isca se nem mesmo a ave caçadora está encontrando?”

Soltei um suspiro cansado e balancei a cabeça de um lado para o outro. Não havia chegado tão longe para acabar sem fazer pelo menos uma tentativa! Comecei a andar pela área em busca de pistas e rastros, meu conhecimento de rastreamento de mercenária auxiliando enquanto vagava em busca de algo. O céu já estava começando a ficar alaranjado anunciando a chegada do crepúsculo. Resmunguei e chutei uma pedrinha no chão, mas foi graças a isso que eu vi pequenos rastros no chão, pegadas minúsculas que desaprecia graças a poeira do lugar. Controlei o meu impulso de gritar de felicidade, afinal poderia denunciar a minha presença e assustar a minha presa secundária. Segui as pegadas em direção a uma fenda de tamanho mediano, mas com espessura o suficiente para poder abrigar animais de pequeno porte. Fui abaixando o corpo, andando quase que agachada, coloquei a minha mochila no chão e retirei de lá de dentro um pedaço de carne que tinha roubado do acampamento e embrulhado para a viagem. Seria a minha refeição da noite, caso tivesse de permanecer ali até a noite. Preparei a rede que também que também peguei emprestado e montei um rápido plano.

Caminhei a passos calmos até a parede ao lado da fenda, ajeitei a rede em minha mão e joguei o pedaço de carne no chão a menos de dois metros de distância. Fiz completo silêncio, controlando até mesmo as batidas de meu coração, mantendo-me completamente atenta a qualquer movimento. Quase dois minutos completos depois, um rato do deserto de pelo castanho avermelhado saiu desconfiado. Ele mexia a grandes orelhas, farejava o ar e ia andando lentamente em direção a carne. Aguardei pacientemente o momento certo, esperando que o rato fosse até perto da carne, a cheirasse e começasse a pegar. Ele estaria ocupado demais para ser rápido fugindo. Só então joguei a rede quase ao mesmo tempo em que corria na direção em que a lancei. O rato esganiçou em um som extremamente fino e baixo, mas assim que a rede fechou-se ao seu redor, eu o capturei com um sorriso enorme.

-Desculpe, é a lei da natureza. Os mais espertos sempre saem ganhando – falei para o rato.

Precisava agir rapidamente para aproveitar a luz solar que ainda restava. Peguei a minha mochila a colocando de qualquer jeito em meu ombro, movendo-me a passos largos em direção a área próxima à toca que o falcão estava. Peguei a corda furtada do acampamento e a amarrei contra a cintura do rato, ele precisava manter-se em movimento para que meu plano desse certo. Procurei um lugar propício a deixar a isca a vista, assim como eu pudesse ficar de tocaia. Quando achei, amarrei a outra extremidade da corda em uma rocha mediana, para que a isca não fugisse como tanto queria. Fiquei escondida próxima do local e em uma parte parcialmente coberta por uma formação rochosa, assim a visão da ave de rapina não poderia flagrar-me com facilidade. Tirei a minha mochila e espada, sabendo que precisaria de toda a mobilidade do corpo para capturar e tentar domar a ave.

Com o corpo curvado e pronto para avançar, mantive a minha tocaia pacientemente. A minha isca se debatia, corria em menos de um metro e era impedido pela corda que o prendia. Ele estava a céu aberto e logo seria visto pelo meu falcão real. Demorou mais do que eu esperava, contabilizando por volta de meia hora até o momento que eu escutei o seu divino piado. A sombra mal podia ser vista por conta da descida do sol, mas lá estava a ave de rapina circulando a área parecendo ainda desesperada por comida.

Passei a língua por entre meus lábios, meus olhos azuis ficando afiados e atentos aos próximos acontecimentos. Eu não poderia errar agora! O falcão sobrevoou a isca que entrava ainda mais em desespero. Ele fez um mergulho rasante e pegou o rato com suas garras, piando assim que deu o bote. Mas o rato saiu de sua prisão por conta da corda. Ergui lentamente meu corpo, meu coração disparado por conta da adrenalina. Só mais uma vez! O falcão veio ainda mais desesperado pela comida, agarrando e dessa vez batendo as asas com o intuito de tentar quebrar a corda. Foi nesse momento que avancei, rápida e com movimentos consequenciais. Joguei a rede na direção do falcão, o impedindo de voar e assim o fazendo cair no chão.

A ave prontamente se desesperou, tentando bater as asas mas o peso das cordas da rede impedindo disso. Avancei e tentei segurá-lo, prendendo ainda mais a rede ao seu redor. O falcão reagiu ferozmente, bicando minhas mãos, arranhando meu antebraço, por vezes escapando de meu aperto e tentando fugir, mas eu me jogava nele novamente até conseguir impedir de suas asas se moverem, em um abraço de um braço. Com a mão livre, rasguei boa parte de minha blusa e prontamente cobri a cabeça do falcão. A escuridão o assustaria, assim como o dominaria. Uma antiga arte que eram aplicadas as aves de caça domesticadas. A ave continuava a se debater, mas quanto mais permanecesse com a cabeça coberta e imobilizada, assim como também estava cansada e faminta, provavelmente desistiria.

Pelos deuses, aquela tentativa tinha de dar certo! Caso desse, amarraria a ave para que não escapasse e finalmente a alimentaria corretamente. Caso não, teria de esperar pelo dia seguinte para poder tomar novas providencias e decisões.

Observações:
• A tentativa é de capturar um Falcão Real. Os itens pegados no acampamento não serão acrescentados, assim que Pandora sair desta área, abandonará os itens já que eles perdem a sua funcionalidade.
• Esperando a criação da área para lançar os dados para o ofício de Domadora.

TPO @ B'

avatar
Pandora Fireheart



Ficha de Persogem
Pontos de Vida:
35/85  (35/85)

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [EMP - Domadora] ♣ I choose you... Go!

Mensagem por Gabs em Dom Dez 07, 2014 10:45 pm

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 19 pp +Falcão Real(dado já lançado).

Eu sinceramente não tenho quase nada para falar sobre a sua narração. Como você bem sabe, considero-a excelente. Com um enredo muito envolvente e ortografia quase perfeita(notei apenas alguns erros como a falta de crase ou falhas na digitação), a única coisa que me causou um leve incômodo foi a repetição desnecessária de palavras - principalmente ave - sem muito espaçamento entre elas, o que pode ocasionar em uma quebra na fluência do texto. Tirando esses detalhes, só tenho elogios a fazer a respeito dessa missão, então meus parabéns.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum