[EMP - Herbalista] Dimitri Carmilla

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[EMP - Herbalista] Dimitri Carmilla

Mensagem por Dimitri Carmilla em Seg Dez 22, 2014 4:28 am



feel my potion



Enquanto caminhava tranquilo pelas ruas, envolto em seu sobretudo, apesar de não fazer questão alguma de ocultar a cabeça, Dimitri enxergava Saerloon ao seu redor. Um povoado que cresceu na força bruta, e adquiriu características rústicas e peculiares, com a população sempre preocupada e desconfiada de algo, pronto para serem atacados a qualquer momento. De alguma forma o Reaver se sentia em paz ali, era de fato um lugar para ser chamado de lar, algo que há muito já não tinha.

Apesar de quase sempre ter vivo nas ruas, Dimitri tinha sua cidade natal como um lar. Costumava dizer que o mundo era sua casa, mas palavras bonitas não esquentavam o corpo nas noites frias. Aprendera a roubar, tirar dos que tinham muito para agradar ao que tinha pouco, ele mesmo. Não era do tipo que se preocupava muito com os outros, desde que não tivessem menos do que ele próprio, o Carmilla não sentia remorso algum de pegar seus bens "emprestados", mas em uma dessas aventuras algo deu errado. Enquanto roubava uma casa qualquer que encontrou durante o caminho, bem apessoada e de alguém que claramente possuía recursos, acabou deixando-se distrair por um gato que a família parecia ter de estimação. O felino tinha olhos vermelhos muito semelhantes aos seus próprios, e aquilo o fascinou, mas foi seu maior erro. Enquanto brincava com a criatura, um dos donos da casa pareceu ter ido buscar algo e ao perceber que a fechadura fora forçada, chamou reforços.

Não demorou muito para que os guerreiros reais estivessem ao redor do local, e ao tentar fuga, acabou tendo que duelar contra um deles. Tinha apenas uma faca em mãos, enquanto o guerreiro carregava uma arma claramente mais pesada que po próprio Dimitri. Amaldiçoou o gato a cada dia que passou preso, mas deu trabalho, conseguiu arrancar um corte profundo na lateral do rosto do homem, e mesmo em desvantagem, batalhou com a cabeça erguida, mas a honra do ladrão de nada lhe adiantava se estivesse preso. Para sua sorte, ouviu sobre algo que muito lhe interessou, ao que parecia, a filha do homem que o havia enfrentado havia fugido, e ele buscava alguém que fosse capaz de ir atrás dela, mas tinha problemas, afinal, qualquer rosto conhecido a faria fugir novamente.

Foram dias, quase semanas até convencer o homem de que a ideia de mandar um completo desconhecido atrás de sua filha fosse boa. E depois disso, mais eras até convencer de que fosse ele o enviado. No começo relutante, Dimitri teve de insistir com toda a força que possuía, passando dias sem comer para demonstrar sua boa fé. O homem tinha medo que fugisse e nunca mais aparecesse, mas insistiu que se fosse assim, bastaria que espalhassem notícias sobre sua cabeça com uma mentira qualquer e logo estaria morto, fugir não era uma opção, mas havia outra, se trouxesse sua filha de volta, teria a liberdade, e os crimes perdoados, assim como uma pequena recompensa que lhe permitiria sumir dali para sempre e sobreviver por um bom tempo. Foi difícil mas conseguiu, e lá estava ele agora, na região de Sembia, atrás da tal garota, uma princesinha fujona e rebelde que não tinha ideia da sorte de ter nascido de berço, no fundo, o Reaver a invejava.

Quando adentrou o casebre que havia sido reservado para ele ficar enquanto continuava a investigação pode sentir um calor estranho pelo corpo, talvez fosse conforto, algo que não estava nem de perto acostumado a sentir. De alguma forma, nesse mês de liberdade, enquanto saía por Faerûn abusca de uma louca rica fugitiva, tinha vivido muito melhor do que em todos os anos de sua vida. O pai da mulher bancava suas hospedagens e comida, ao mesmo tempo que Dimitri realizava seus próprios trabalhos escondido para arrecadar mais dinheiro, queria estar pronto para desaparecer pelo mundo assim que deixasse a mimadinha em casa, e para isso, usava de seus dons nada convencionais pelos lugares em que passava, agora se disfarçando para que nem mesmo o seu contratante pudesse ter uma ideia mínima do que fazia quando não estava seguindo pistas. Manter a discrição era o mesmo que manter a vida.

A cada quinze dias era visitado por um soldado do homem, a quem devia passar informações recolhidas e também, quem garantia que ainda não tinha fugido mundo afora como louco. Se as notícias fossem poucas, o soldado voltava para lhe dar uma bronca e avisar que se não surgisse com coisas novas, teria problemas sérios. Mas a intenção de Dimitri de fato não era fugir, o que mais queria era ser livre do erro que cometeu e assim sumir sem ter ninguém quem o procurasse, ser caçado pela vida não era uma opção. Apesar de tudo o Reaver se sentia fraco, ultimamente tivera alguns problemas que começaram a lhe fazer mal, mas já sabia o que fazer para melhorar isso. Poucos dias atrás, ainda em Cormyr, havia comprado ervas que estavam no livro queimado sobre poções que havia recuperado de uma biblioteca que havia sido incendiada. O conteúdo estava em frangalhos, era impossível distinguir qual poção servia para que, mas pelos estudos que andou fazendo, e pesquisas, tinha uma ideia do próximo passo.

Despiu-se do sobretudo e correu para a cozinha do casebre para buscar uma tigela de madeira e um socador. Livre dos sapatos, vestia apenas uma calça de linho preta e uma camisa branca de mangas longas, que dobrou assim que alcançou o balcão do local, depositando ali os instrumentos. As mãos buscaram logo as flores azuladas depositadas em um cesto próximo, eram Coroas Celestes, e junto do outro ingrediente, esperava ser capaz de criar algo que lhe fizesse se sentir melhor. Primeiro, com delicadeza, tirou pétala por pétala de cada uma das cinco flores que havia comprado, depositando-as sobre a tigela e as amassando com o socador. Fazia força contra a madeira para que o conteúdo esmigalhasse por completo, sendo possível perceber um leve líquido azulado escorrendo de cada uma delas enquanto se desfaziam. O processo era lento, e cansativo para o braço, amassar e forçar flores até que desmanchassem e parecessem apenas uma massa molenga e molhada.

Feito isso, dividiu as porções, pelos cálculos que tinha feito de acordo com as informações fragmentadas contidas no livro, havia ali o suficiente para cinco poções daquele tipo, e precisava que rendessem bastante. Porções divididas, dirigiu-se a pia, onde com todo o esforço necessário, buscou lavar tanto a tigela quanto o socador. Os materiais e ferramentas que dispunha naquele casebre eram mínimos, e manter a higiene antes de triturar o outro material era de fato essencial, qualquer vestígio de mistura que fosse feita antes do cozimento traria problemas sérios. Com as ferramentas de trabalho devidamente higienizadas, voltou ao balcão para continuar o trabalho braçal, agora focando-se nas folhas da Orelha de Elfo, uma planta curiosa que em muito lembrava as partes do corpo que tinham seu nome.

Assim como com a Coroa Celeste, esmagava as folhas uma a uma até que se esmigalhassem. Não apenas o processo de amassar e triturar, era extremamente importante que o caldo existente em seu limbo, pois era com ele que a verdadeira magia acontecia. Novamente o trabalho se mostrava repetitivo e exaustivo, forçando os músculos a golpear o vegetal contra a madeira e realizando giros manuais cansativos, sempre exigindo que impusesse brutalidade nos atos para conseguir o resultado desejado. Foram cerca de mais cinco minutos amassando planta até que atingisse algo visivelmente próximo do que pensava querer, e já dolorido pelo exercício, resolveu que seria daquela forma mesmo que o faria.

Novamente dividiu as porções em cinco unidades, confirmando que a massa e caldo extraídos de ambas as plantas completassem cinco poções distintas, apesar de possuírem o mesmo conteúdo. Era a hora de cozer aquilo tudo e esperar que as informações fragmentadas do livro queimado fossem o suficiente. Acendeu uma panela velha que havia conseguido com desconto nos mercados próximos, preenchendo-a com água e aguardando a fervura. Era quase um exercício de paciência, mas já esperava pela demora. Quando pode ver o borbulhar intenso na superfície líquida, despejou todas as cinco porções de massaroca retiradas da Coroa Celeste. Como havia amassado antes, era importante cozer primeiro para que o caldo não secasse nas porções, ou teria sido um desperdício de dinheiro e material.

Enquanto misturava o ingrediente com a água era visível que o líquido começava a tomar um tom azulado, mas ainda assim, bem diferente do que era visto nas pétalas. Era como se a água mudasse com algum componente químico da flor e logo o azul-esverdeado se mostrava claro. Continuou a mexer a mistura até que conseguisse uma substância quase homogênea, como indicavam as informações que conseguiu retirar das páginas, jogando então o outro ingrediente sobre o líquido e mexendo novamente, mantendo os movimentos em sentido horário, passo a passo do que conseguira de informação.

Com as bolhas se formando e a fumaça saindo, podia ver a mistura tomando um estranho tom avermelhado, que em nada lembrava mais nenhuma das duas plantas. Era curioso como a mistura daqueles ingredientes naturais com a água causava reações diferentes e completamente sem sentido, pelo menos para ele, baseado em sua composição original. Novamente, a paciência e insistência em forçar o braço naquele exercício exaustivo se mostravam necessários, o trabalho de um Herbalista em nada era simples, e aprendia isso de uma vez por todas naquele momento. Perdeu a noção do tempo que ficou naquela mistura maluca, mas com certeza foi algo próximo de uma hora.

Terminou ao sentir que o líquido finalmente era algo homogêneo e límpido, sem aquela aparência pegajosa que demonstrava no começo da mistura, era como se a insistência de seus movimentos e o calor do fogo embaixo da panela fizessem com que os ingredientes "derretessem" completamente e entrassem em sintonia. Distribuiu cuidadosamente os líquidos em garrafas fazias que já havia separado enquanto esperava a água ferver, colocando-os sobre a pia para que gelassem. Se tudo tivesse corrido bem, teria conseguido preparar suas primeiras poções, era início de um longo caminho em busca de se tornar um grande Herbalista.

WITH: no one WHERE: Saerloon DOING: poções POST: 001

@Lilah


Poção:

Poção 13 – Coroa Celeste + Orelha de Elfo + Petala Luminosa + Dente de Gelo + Fruto de Júnifer.

Ingredientes:

• coroa celeste - flor azulada que cresce longe de luz solar. (5)
• orelha de elfo - plantas esverdeadas com formato semelhante a orelha de um elfo.
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Dimitri Carmilla



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Pontos de Vida:
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Re: [EMP - Herbalista] Dimitri Carmilla

Mensagem por Guardian em Ter Dez 23, 2014 1:29 am


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Estou admirada quanto a sua narração, o modo como me prendeu do começo ao fim. Principalmente, me impressionou o fato de ter colocado um pouco da própria trama em uma missão emprego, o que poucos fazem e as justificativas de estar naquele local, não apenas “estou na cozinha preparando uma poção”. Além disso, agradou-me bastante o modo como separou cada momento de criar a poção, definindo o pra quê de fazer cada etapa. A única coisa que realmente senti falta foi quando você começou a narrar a parte de fazer a poção, você foi muito objetivo, pouco demonstrou de seu personagem. Talvez o que estava pensando ou o por quê estava se esforçando tanto em uma poção que não saberia seu efeito, devaneios sempre são legais entre ações como essas, que são um completo tédio para o personagem, vamos concordar. Ademais, não tenho o que criticar, foi muito bem descrito o processo e muito bem narrado a missão emprego.

Recompensa: 18 PP.
Poção: http://forgotten-rpg.forumeiros.com/t263-herbalista-dimitre-carmilla Lançar dados para ver se consegue, após isso postarei aqui se conseguiu as poções e quais são elas.


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Re: [EMP - Herbalista] Dimitri Carmilla

Mensagem por Guardian em Ter Dez 23, 2014 4:53 am

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Através do resultado dos dados, Dimitri conseguiu realizar três poções das cinco tentativas. A receita realizada das poções resultaram nesta abaixo.

[3x] Poção de Vida [Recupera 20 PV]

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Re: [EMP - Herbalista] Dimitri Carmilla

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