[EMP] Forja de Khali

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[EMP] Forja de Khali

Mensagem por Khali em Sex Dez 26, 2014 12:46 am

FEAR SWORD






Khali fitava as chamas da fornalha acesa com um olhar por demais sonhador, como se na verdade não estivesse naquele cômodo por demasia quente e abafado. As memórias lhe voltavam para a época em que ainda era uma cativa, presa por grades de ferros. Os olhos avermelhados fitavam com um temor desigual o cabo de ferro com o qual apanharia, este aproximava cada vez mais até que...

A bahaliana afastou o pensamento com todas as forças que podia, afinal, não era nada saudável voltar ao passado que a atormentava. Suspirou longamente e sorriu, enquanto aproximava-se do canto da sala e pegava o monte de lenha ali, atirando-os cuidadosamente na fornalha. Enfrentara seu medo de fogo e ferro aprendendo a forjar, logo, isso não mais a assustava.

Naquele dia, por falta de clientes, dedicaria a si mesma e criaria uma espada. Estava vestida devidamente para realizar o trabalho, de modo que protegesse dos perigos daquilo. Luvas e avental de raspa, calçados apropriados, máscara contra poeira e óculos de proteção. Qualquer um que a visse daquele modo, nunca iria imaginar o quão bela era por debaixo de tanto.

Primeiramente, decidiu quanto ao material que usaria. O aço era bem vindo, mas já bastava de armas feitas por ele, gostaria de algo que aumentasse o desempenho da lâmina, por mais que pesasse o dobro. Logo, decidiu por prata. Pegou uma tenaz e com o auxílio da mesma, colocou duas placas do material escolhido ao fogo. Esperou com tamanha paciência, digna de uma ex cativa, que fitava o fogo tomar o metal, tornando-a em um tom alaranjado. O ponto exato de retirá-la era aquele, quando não perdesse as suas propriedades sólidas. Com a mesma ferramenta, tratou de retirar as devidas placas da fornalha e despejá-las sobre a bigorna, para enfim começar a moldá-las nas devidas formas.

Deixou a tenaz de lado e empunhou o martelo de aproximadamente 1.5 kg, especial para trabalhos pesados e com isso, começou a compactar a matéria aos poucos, utilizando o equilíbrio entre a força e o perfeccionismo, para assim ter golpes precisos, porém fortes. As imperfeições foram rapidamente sumindo, em consequência do trabalho repetitivo da armeira.

Quando achou que a matéria prima ficou plana, levou novamente a fornalha com o auxílio da ferramenta necessária, a fim de não danificar mais as mãos calejadas. Pouco tempo depois, retirou-a do fogo e com a marreta, começou a moldá-la a fim de transformá-la em uma barra retangular, iniciando pela quina a fim de formar a ponta. Novamente, voltou a utilizar o martelo, compactando-o e juntando os metais para torna-los mais resistentes.

Repetiu o mesmo processo exaustivo com o restante das placas, até que formasse barras retangulares. Utilizou apenas uma como núcleo da espada, enquanto as outras serviram de complementares acima e abaixo do formato que imaginava e moldava. Sempre que o metal esfriava, voltava-o para a fornalha, pois caso bata no metal fora de sua temperatura ideal de forja, a lâmina apresentará fissuras e a armeira não queria isso em sua espada. Após cansativas marteladas e idas e vindas a fornalha, finalmente transformara-se em uma única placa.

Com um longo suspirou, Khali soltou as ferramentas e tocou os pulsos, logo alongando os braços e os ombros, a fim de diminuir as dores do trabalho duro e cansativo.

A ponta já estava forjada e estabilizada, começou a bater na mesma com o martelo, mas de lado, para deixá-la com a espessura desejada. A fim de apresentar uma conicidade, bateu em toda a lâmina. Para puxar o fio da lâmina, colocou-a na beirada da bigorna e deu algumas batidas, virou a lâmina e repetiu o processo. Com o malho, bateu o fio, puxando o martelo na direção do dorso para o fio da lâmina, alongando-a também, com o devido cuidado para não martelar forte e danificar ou entorta-la. Manteve a simetria ao dar o mesmo número de pancadas do mesmo lado. Isso foi o processo de espalmar. Em alguns momentos desse processo, a lâmina tomou uma cor vermelho cereja escuro, demonstrando que esfriava e poderia encontrar fissuras caso continuasse a força-la, então voltava-a ao fogo. Isso fez com que demorasse bastante para realiza-lo.

Ao retirá-la da fornalha, começou a trabalhar na espiga da lâmina – parte onde o cabo é fixado – ou seja, a parte superior. Com a ajuda de uma tenaz invertida, colocou a área da espiga no meio das pinças sobre a bigorna. Começou a bater com o martelo até que formasse duas deformações de cada lado e enquanto fazia isso, podia sentir o cansaço pesar sobre os braços e uma dor começar a incomodá-la. Repetiu o processo mais duas vezes, porém um pouco mais atrás do que a primeira deformação. Após isso, bateu na área da espiga, forjando-a de maneira que também apresentasse a conicidade em direção do pomo da espada – isto é, o acabamento utilizado no final da empunhadura com finalidades estéticas e funcionais, tais como contra-peso e base para golpes, acrescentando robustez à faca –.

Já estava acabando de forjá-la, faltava apenas os pequenos detalhes. Pegou um martelo menor de 500 kg para acertar a lâmina, retirando alguns poucos defeitos impossíveis de não acontecer durante a forja. Observou o fio para procurar alguma torção e procurou notar se estava torta, mas nada disso acontecera.

Faltava afiar e para isso, voltou a lâmina a fornalha e retirou-a rapidamente, esperou um tempinho até que ficasse em média temperatura, entre o quente e o frio. Segurou-a com as próprias mãos, pois não estava quente a ponto de queimá-la e levou-a em direção a afiadeira – roda de pedra que gira enquanto afia – a fim de afia-la ao máximo.

Com o fogo leve, iniciou o recozimento. Colocou-a na fornalha novamente, até que tomasse uma cor vermelho bem escuro e coloco-a para resfriar no ar por alguns segundos. Repetiu essa mesma operação três vezes. Depois, foi colocada na água do resfriador e pela última vez, ao fogo. O resfriamento demorou bastante, para definir uma melhor retenção no corte da espada.
Khali pegou o punho da lâmina e conectou-o ao pomo, juntando todas as peças necessárias. Segurou-a afim de confirmar que estava bem colocado.

Finalmente, era hora de testar. A bahaliana primeiramente cortou a si mesma para ver se agradava-lhe o corte, depois girou-a no ar para testar seu peso e desferiu um golpe no espaço para sentir o balanço. Estava perfeita. Aproximou-se de uma mesa de canto e deitou a lâmina ali,

Cansada, sentou-se em uma cadeira e colocou a bela espada sobre as pernas, enquanto passava um pano banhado em uma mistura que um herbalista lhe dera, para polir lâmina de forma que brilhasse aos olhos avermelhados dela. Estava cansada, sentia a dor nos ombros e braços, mas mesmo assim não soltava a sua arte. Estava apaixonada por uma espada e a nomearia fear.

Forja:
tilizei a prata comprada na loja, não sei se foi atualizada e foram duas, a fim de criar uma Espada de prata. Favor criar uma área para lançamento de dados.


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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por King em Sex Dez 26, 2014 3:24 am

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 15 pp.

Uma forja muito bem detalhada, apesar de poder ter citado um pouco mais detalhes sobre o teste do fio da arma, não adianta afiar uma espada e simplesmente esperar ter sido o suficiente, mas foi uma primeira experiência espetacular. Ouso citar também que senti falta de um maior envolvimento da personagem, detalhes intimistas sobre ela a serem expostos diante do trabalho, pensamentos e sentimentos diante daquilo tudo, que apesar de terem sido citados algumas vezes, me pareceu ser comentado de forma distante. Enfim, no mais está incrível, como sempre quando é algo vindo de você. Meus parabéns.

Os dados já foram lançados, a espada estará sendo acrescentada agora.

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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por Khali em Seg Dez 29, 2014 8:35 pm


GLACIUM ART




Era o amanhecer do primeiro dia da semana, os raios de sol tocavam o chão da forja com delicadeza, devido a janela de madeira aberta. O calor parecia aumentar a cada minuto, não somente devido a fornalha, mas por causa do próprio tempo que fazia naquela manhã.

Khali organizava a bagunça que tinha feito no dia anterior para forjar uma simples espada, organizava os instrumentos de forja em seus apoios na parede, limpava a bigorna, passava um pano úmido no chão e arrumava os pequenos armários de madeira no canto do local, onde deparou-se com diversos moldes que tinha criado para auxiliar na forja das armas com as quais tinha mais dificuldade.

Escutou o tilintar típico do pequeno sino que tinha na porta, este soava no exato momento em que alguém a abria. Era um mecanismo para sempre chamar a atenção de Khali quando alguém estivesse a sua espera, independente de quão longe estivesse naquele recinto. Um tanto quanto ansiosa para o seu primeiro pedido que receberia na forja de Suzail, adiantou-se ao balcão para receber sua freguesa. Foi surpreendida por uma figura famosa, que ao descer o capuz azul escuro, deixou a armeira atônita, sem ações. Era a filha de Tempus. Por um tempo, ficou a encará-la sem dizer nada, como uma boba, mas logo foi interrompida pelas palavras dela.

- Achei uns metais raros e peço que forje dois itens com os mesmos. São chamados glaciuns. – Adiantou-se diante ao balcão e lhe entregou um embrulho aparentemente muito pesado, coberto por camadas de tecidos e couro, aparentemente, era perigoso. – Cuidado! Não toque o metal, ele congela e queima. – Khali assentiu, concordando e aproximou-se mais do balcão, afim de analisar melhor o material. Pôde sentir uma mudança na temperatura apenas de estar próximo a ele, parecia mais frio. – Quero uma azagaia e uma adaga, mas estarei saindo da cidade hoje mesmo, então se for possível, leve as armas para mim em Marsember e lhe darei um extra para isso.

- Tudo bem, forjarei e pela manhã estará pronto, então seguirei para Marsember como instruído. – Concordou com o pedido imediatamente, seria um ótimo renome para forja se fizesse armas para a Filha de Tempus.

- Estarei na hospedaria de lá esperando-a chegar. Até mais. – Despediu-se e antes mesmo que a bahaliana pudesse dizer alguma palavra, sua cliente fechava a porta atrás de si.



♣ ♠ ♣



Um suspiro longo escapou por entre os lábios ao perceber o quão difícil seria utilizar um metal nunca antes testado e principalmente, deveria deixar as armas em perfeito estado, para que fosse elogiada e conseguisse um renome para forja. Além de todo o trabalho que teria com a forja, teria que alugar um cavalo para ir para Marsember no outro dia, entregar para folgada da drow suas armas.

- Vale o esforço, Khali! – Incentivou a si mesma, enquanto aproximava-se do suporte para ferramentas e materiais de proteção.

Colocou os calçados especiais para seu trabalho, depois vestiu o avental e as luvas de raspa. Por fim, colocou a máscara contra a vontade – estava calor demais para utilizá-la – e os óculos de proteção. Pegou um monte de lenha e atirou-a na fornalha, esquentando-a para o uso.

Retirou a tenaz do suporte e a levou em direção ao metal embrulhado, utilizando-a para afastar o couro e o tecido que cobria-o. Imediatamente, o ar em toda o recinto esfriou, em completo contraste com o tempo do lado de fora. Confusa e curiosa como era, aproximou-se para enxergar melhor e foi acometida por surpresa.

Era lindo! O tom era em um azulado tão claro que aproximava-se do branco e brilhava com uma intensidade que foi preciso fechar os olhos e depois pisca-los várias vezes para acostumar-se com o clarão. Quanto mais próxima ficava, melhor podia sentir a temperatura gélida.

- Vamos ao trabalho então! – Disse, enquanto utilizava a tenaz para pegar o primeiro metal, pois iniciaria com a adaga. Naquele mesmo instante, o efeito do metal era tão grande, que imediatamente envolveu o instrumento com sua áurea gélida, congelando-o por completo.

Com o susto, a bahaliana soltou a tenaz e esta bateu contra o chão, enquanto os pedaços de gelo espalhavam-se ali. Arqueou as sobrancelhas diante a dificuldade que seria trabalhar com aquele material, afinal, ele congelaria tudo!

Com uma de suas tenazes quebrada, passou a vassoura e juntou-a no canto da forja, onde depois limparia. Cortou dois pedaços do pano que ela trouxera e envolveu nas pontas da outra tenaz que pegara, amarrando-as ali com um pedaço de elástico. Seria o suficiente para não sofrer o efeito do congelamento tão rápido, acreditava. Com o primeiro problema resolvido, utilizou-a para pegar novamente o metal e levou-o direito para fornalha.

O fogo ardia no metal, mas mesmo assim, parecia que não lhe fazia qualquer efeito. Bufou, frustrada e pegou mais lenha, jogando-a ali para que ao menos aumentasse o calor. Foi muito tempo para que o metal tomasse uma cor alaranjada, o que deixava cada vez mais a bahaliana preocupada. Enquanto os minutos passavam vagarosamente, ela fitava as chamas crepitarem, e a mente viajava novamente ao passado. Parecia inevitável isso ocorrer. Sentia o arder na própria pele em meio as lembranças das torturas que sofria há mais de cem anos atrás. Era algo que nunca poderia esquecer, apenas superar.

O tal de glacium parecia não reagir bem com a forja, mas mesmo assim, sabia que tinha que insistir. Era questão de lógica! Matéria prima deveria virar um instrumento, independente do quanto teimosa fosse.

Novamente, pegou a tenaz para retirar o material da fornalha. Tentou ser o mais ágil possível, para que não deteriorasse o tecido preso nela e despejou-a sobre a fornalha. Eis que começaria o cansativo trabalho de forjar uma adaga, principalmente com um metal tão desagradável como aquele.

Como todas as lâminas, o ideal era que a forjasse iniciando-se pela ponta. Khali, por sua vez, imaginava antes de todo o trabalho como queria que ficasse sua arma e por ser por demais detalhista e paciente, normalmente conseguia fazer de modo que assemelhasse com a imagem criada pela mente.

Pegou a marreta e começou a trabalhar a ponta, dando pancadas exatamente na quina. Depois de algumas marretadas, esta começou a achatar-se, formando uma ponta. Mais rápido do que imaginava, o metal estava frio e duro novamente e com um suspiro exasperado, a bahaliana o voltou-o para as brasas. Longos minutos passaram-se, mais do que um material normal demoraria, e o tom que antes estava em vermelho vivo – mostrando temperatura inadequada para continuidade da forja – agora tomava um alaranjado. Durante todo esse tempo, dúvidas e inseguranças tomavam a mente dela, fazendo-a duvidar da própria habilidade, afinal, seria incapaz de forjar a arma com aquele metal? Não, insistiria até o fim, e quando chegasse nesse, continuaria se esforçando. Desistir? Nunca!

Novamente, o glacium estava sobre a bigorna e antes que resfriasse, não perdeu qualquer tempo e voltou ao trabalho. Com a ponta já forjada, virou levemente de lado a lâmina e iniciou as marteladas firmes sobre a lateral, para deixá-la com uma espessura satisfatória. Novamente, voltou o material para a fornalha e a preencheu com mais lenha, pois parecia enfraquecer as chamas e para que tivesse o resultado desejado, o fogo sempre deveria estar forte. Após isso, retornou-a para a bigorna e começou a batê-la em toda a sua extensão, para que formasse uma conicidade, da área do ricasso à ponta.

O trabalho era em demasia demorado e cansativo, podia sentir as gotas de suor por todo corpo, algo muito desagradável para a armeira, mas que devia acostumar-se. Além do calor forte da fornalha, o tempo parecia não contribuir, direcionando raios fortes contra o recinto. Os músculos já reclamavam do esforço, mas Khali era teimosa e os ignorava.

Com o primeiro e segundo estágio prontos, iniciou o terceiro, que era exatamente espalmar o fio da adaga. Colocou a lâmina na beirada do da bigorna e deu algumas marteladas com o martelo de 1.5kg, puxando assim o fio e repetiu o processo, porém virando-a para fazer do outro lado. Rapidamente, pegou o malho e bateu o fio, puxando o martelo na direção do dorso para o fio da adaga. Procurou manter sempre a simetria, evitando pancadas fortes e dividindo em quantidades de marteladas iguais para cada lado.

Quarto estágio: espiga da lâmina. Levou novamente o glacium a fornalha e intensificou as chamas com mais lenha, aguardando novamente enquanto esticava os músculos, sentindo-os doloridos pelo esforço. Murmurou algumas maldições para si mesma, reclamando por não ser forte o suficiente para forjar sem sentir qualquer incômodo. Voltou o metal para a bigorna e pegou na área da espiga com as pinças da tenaz invertida. Começou a bater com o martelo de forma firme até que surgisse duas deformações de cada lado, demorou um tanto e custou-lhe voltar o metal chato para as chamas algumas vezes. Repetiu o processo duas vezes, porém no segundo, focou as marteladas atrás da primeira deformação. Voltou a bater na área da espiga, de modo que esta apresentasse uma conicidade em direção ao que seria o pomo da adaga.

Quinto estágio: detalhes e concertos. Analisou a forma que tinha diante de si e ergueu-a diante de si, um pouco mais acima, para que percebesse qualquer erro. Pegou o martelo de 500g e começou a martelar com movimentos precisos e firmes, afim de acertar a simetria e novamente, conferiu se estava correta. E estava. Depois iniciou a gama de detalhes, fazendo formas no na parte superior da lâmina, de modo que não danificasse suas extremidades.

Sexto estágio: afiar. Voltou a lâmina a fornalha e demorou novamente para que atingisse a temperatura desejada. Retirou-a da fornalha, esperou um tempinho até que ficasse em média temperatura, entre o quente e o frio. Segurou-a com as próprias mãos, pois não estava quente a ponto de queimá-la e levou-a em direção a afiadeira – roda de pedra que gira enquanto afia. Observou o processo com curiosidade, como se tivesse segredos no mecanismo e sorriu em puro alívio, afinal, estava finalizando a arma. A cada mínimo movimento, sentia a tensão nos músculos. Para testar o fio, retirou a luva da mão direita e passou a lâmina sobre a palma da mão, fazendo um corte pequeno e inofensivo. Mordeu o canto do lábio com o incômodo do mínimo ferimento e voltou a proteção para a mão, satisfeita com a própria criação.

Sétimo estágio: recozimento e resfriamento. Manteve o fogo em uma temperatura que seria alta para outras armas, porém para o glacium, era leve e assim iniciou o recozimento. Colocou-a na fornalha novamente, até que tomasse uma cor vermelho bem escuro e levou-a para resfriar no ar por alguns segundos. Repetiu essa mesma operação três vezes. Depois, foi colocada na água do resfriador e pela última vez, ao fogo. Esse estágio demorou mais que o ideal, devido a propriedade gélida da lâmina e sua dificuldade para recozer.

Em meio aos diversos punhos que tinha guardado no armário, procurou um que melhor se adequasse ao peso, formato e cor da lâmina e encontrou prata e azul claro, com detalhes e duas pedras de safira incrustradas. Pegou-o com um tanto de admiração e agradecendo a si mesma por ter aceitado a troca com um ferreiro antigamente e assim, conectou-o ao pomo, encaixando-se perfeitamente à lâmina que tinha uma coloração também em um azul claro. Admirou o próprio trabalho com tamanho orgulho, fitando o brilho pequeno da adaga.

Girou a adaga no ar para testar o peso e desferiu um golpe no ar para sentir o balanço, agradando-lhe ambos. Fitou-a para perceber quaisquer torção ou falhas, mas nada encontrou. Estava perfeita! Queria para si aquela arma, mas sua ética não lhe permitia o roubo e o pensamento de quê pudesse ser inimiga da Filha de Tempus era por demais intimidador.

Voltou ao armário para pegar a solução para polimento e um pano fino limpo, então cedeu a exaustão e jogou o corpo pesado sobre a cadeira em frente a mesa que utilizava para contabilidade diária. Deixou a arma por sobre a mesa, enquanto preocupava-se em retirar os equipamentos quentes de proteção e logo, pegou os instrumentos e iniciou o polimento, deixando o brilho ainda mais forte do metal. Por horas, ficou naquela posição, até ceder-se ao cansaço e derrubar a cabeça por sobre a mesa, apoiando-se nos braços dobrados. Caiu no sono antes mesmo que pudesse lutar contra o mesmo e a inconsciência a tomou.



♣ ♠ ♣


Khali acordou desorientada, sentia dor na coluna pela péssima posição em que encontrava-se, sentada na cadeira, o rosto deitado sobre a mesa e apoiado sobre os braços. Talvez fosse a dor ou o péssimo modo em que estava ajeitada que acordou-a, não sabia.

Olhou alarmada em direção a janela e levantou-se com um tanto de dificuldade, afim de aproximar-se para descobrir as horas pela direção do sol. Estranhamente, o mesmo estava à leste, parecia ter acabado de amanhecer. Tinha passado a noite e a madrugada inteira dormindo sobre a mesa da forja? Realmente, deveria estar muito cansada para isso.

Foi quando lembrou-se de que tinha que ir à Marsember que um pânico tomou-a por completo, não podia atrasar a mercadoria da Filha de Tempus, portanto, tinha apenas até o horário do almoço para deixar a azagaia pronta e partir para a cidade.

Devido a pressa, colocou de modo completamente desajeitado os equipamentos de proteção, deixando-os cair no chão algumas vezes até por fim estar pronta para a forja. Mesmo que quisesse ela mesmo fazer todos os mínimos detalhes e o completo processo de criação da arma à mão, teve que apelar para o molde, pois não tinha muito tempo. Correu até o armário e fez uma completa bagunça apenas para encontrar o molde cilíndrico do cabo da azagaia e o de sua lâmina curva separadamente, deixando-as sobre uma mesa. Pegou um monte de lenha e as atirou na fornalha, para aumentar ao máximo o calor.

Usou a tenaz coberta pelo tecido novamente para levar três barras de glacium ao fogo e pacientemente, sentou-se a espera do ponto de forja do metal. Estava tão apressada e preocupada, que não se permitiu entrar em devaneios, na cabeça parecia contar os segundos para que o processo acabasse. Colocou o molde da lâmina depois de algum tempo, o alaranjado veio a tona, indicando o ponto certo da forja.

Com a tenaz, retirou-o em meio as chamas e o despejou por sobre o molde da lâmina curvilínea, iniciando o processo de compacta-lo e modelá-lo nas extremidades, utilizando martelo de 1.5kg – ideal para trabalhos pesados – com batidas firmes e rítmicas. Em todo momento, mantinha as marteladas com equilíbrio entre a força e o perfeccionismo, mas rapidamente, o metal esfriava e era obrigada a volta-lo ao calor das chamas. Isso a deixava um tanto quanto frustrada, pois o trabalho era maior e já estava toda dolorida com o esforço.

Ao invés de um clima quente na forja, estava frio devido a presença do glacium e isto não era agradável para armeira, tão acostumada com o calor do ambiente, o que por vezes a deixava desconcentrada e incomodada.

Com o tempo e as idas e vindas a fornalha e depois as marteladas precisas e fortes, conseguiu retirar as imperfeições da lâmina que se formava. O tom voltava ao avermelhado cereja, então novamente, com o uso da tenaz, levou para as chamas e aumentou-as com uma quantidade de lenha. Ao volta-la para bigorna por sobre o molde, voltou a usar o martelo a fim de deixar a matéria plana, sem quaisquer imperfeições. Nesse momento, o metal todo estava dentro do molde, perfeitamente compactado, sem quaisquer sobras em suas extremidades. Retirou por fim o molde quando a matéria encontrava-se na forma necessária e admirou a lâmina curvilínea, rapidamente esta esfriou – para variar – e foi levada a fornalha.

Khali já estava irritada com o fato de ter que ir e voltar a fornalha diversas vezes durante o trabalho, era cansativo e repetitivo, algo que nunca sofreu na presença de outros metais. Prometeu a si mesma que nunca mais iria utilizar aquele metal para forja, se um dia encontrasse um cliente que quisesse-o, iria recomendar para outros armeiros. Até mesmo a mais paciente bahaliana não conseguia manter-se calma com aquele processo cansativo de forja. Alongou os músculos tensos pelo trabalho e sentiu o arder dos mesmos esticando-se.

Retirou a lâmina do fogo e voltou-a a bigorna, após retirado o molde. Pegou a marreta e começou a bater na quina da ponta de glacium, até que a mesma achatasse, formando assim a ponta de aço. O processo demorou devido ao fato de que voltou ao fogo assim que o o glacium resfriava, algo que fazia com tamanha facilidade e velocidade.

Após a ponta da lâmina forjada e curvada, iniciou o processo de espalmar o fio da mesma, que devia ser longa pelo estilo da arma. Colocou-a na beirada da bigorna e deu algumas batidas rítmicas e firmes para puxar o fio e virou a lâmina, repetindo o processo, de modo que dividisse o mesmo número de marretadas para cada lado e evitasse que fossem fortes. Por incrível que pareça, após analisa-la, deparou-se com uma incrível simetria e falta de grandes imperfeições, algo que conseguia sempre que usava molde.

Com uma tenaz invertida, colocou a área da espiga no meio das pinças e começou a bater com o martelo, até formar duas deformações de cada lado. Repetiu a ação mais duas vezes, porém um pouco mais atrás da primeira deformação. Após isso, bateu na área da espiga de forma a forjá-la de maneira que apresentasse certa conicidade em direção do local que seria encaixado a empunhadura longa da azagaia.

Com um martelo de 500g, concertou algumas poucas deformações que ocorreram no momento da forja, ajeitando a lâmina de forma que ficasse completamente plana e na forma curvilínea que deveria ter. Felizmente, o fio não tinha qualquer torção. Voltou-a para a fornalha e aguardou a temperatura adequada, depois retirou-a com o auxílio da tenaz e colocou sobre a bigorna. Esperou que estivesse em uma temperatura entre o quente e o frio e segurou-a com as próprias mãos – utilizando a luva, claro – aproximando-se da afiadeira. Iniciou o processo rápido de afiação e depois testou sobre o próprio dedo, para sentir se estava boa para corte. Quando o filete de sangue deslizou pelo dedo indicador, assentiu em concordância com a perfeição do fio.

Agora era o momento do recozimento e não podia dar estar mais feliz, pois a parte mais difícil estava acabando. Olhou pela janela para confirmar se ainda tinha tempo e realmente, tinha. Ao menos duas horas e meia para o meio dia, era o suficiente. Soltou um suspiro cansado, mas não desanimou.

Colocou a lâmina na fornalha novamente até que atingisse uma coloração vermelha bem escura e após isso, colocou-a para resfriar no ar por poucos segundos. Repetiu o mesmo procedimento quatro vezes e por fim, colocou-a na água do resfriador e pela última vez, ao fogo. Foi um processo um tanto quanto demorado, para uma melhor retenção no corte da espada e valeu a pena, pois a lâmina estava linda e brilhante. Enquanto deixava-a resfriar no próprio ar sobre a mesa, levou os últimos glaciuns ao fogo, esperando a tonalidade alaranjada para forja. Retirou-o com o auxílio da tenaz e despejou sobre o molde cilíndrico do cabo que faria. Fez uma careta ao perceber o excesso que tinha nos cantos e pegou o martelo de 1kg, começando a moldá-lo com batidas fortes e precisas, retirando o excesso e compactando os metais para que tivessem a forma do molde. Com o mesmo sofrimento da lâmina, teve que leva-lo ao fogo diversas vezes em meio ao processo, mas graça aos deuses, não era tão ruim. Seria rápido para forjá-lo. A cada martelada, sentia uma dor espalhar pelos músculos cansados, mas tentava ao máximo ignorar, insistindo com toda a sua força de vontade.

O martelo fazia o trabalho certo, retirando excessos nas extremidades e mantendo a forma que o molde deveria formar. Por fim, levou ao processo de recozimento e esfriamento, o mesmo usado na lâmina. Deixou-o por algum tempo resfriar ao ar livre, após a água e aguardou pacientemente, aproveitando o pouco tempo para alongar os músculos exaustos.

Voltou ao armário a fim de fazer uma empunharia melhor para o cabo da azagaia e achou uma estilosa em azul e branco. Encaixou-a no metal já frio e azulado e por fim, juntou a parte da lâmina – espiga – a ponta do gabo, utilizando também um conector mais estiloso e bem feito, azul com uma pedra de safira.

Observou com completa admiração o seu trabalho, tanto na adaga quanto na azagaia. Estava apaixonada e queria roubar as armas para si, mas ainda recusava a ideia de ter uma inimiga como a Filha de Tempus. O brilho das lâminas eram de um misto de azul claro com branco prateado. Segurou a azagaia e cortou o ar, testando seu peso com certo orgulho e depois o balanço, girando em volta do próprio corpo. Novamente, retirou as luvas para testar o corte e assentiu, orgulhosa, ao sentir o filete dolorido do sangue pela mão. Pegou um pano para limpar-se e depois começou a polimento para entrega-la em ótimo estado para freguesa, utilizando um outro pano com uma substância feita por herbalistas.

Finalmente, embrulhou cuidadosamente o pedido da drow. Retirou o equipamento de proteção e foi em direção a hospedaria, para tomar um banho e partir para Marsember com o embrulho.


Spoiler:
Os dados já foram lançados.
Os gastos não são nenhum com a forja, portanto, não há cobrança para Saphira L’Mönt. Retirar [4] Glacium [Resistência: 03 // Dano: 03 // Peso: 01 // Solta uma aura gelada que queima com o toque, e caso fique em contato constante com algo causa congelamento] do arsenal de Saphira.
Criação: Azagaia e Adaga.


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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por Milady em Ter Dez 30, 2014 1:13 am

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 20 pp.

Esse foi o maior post de forja que eu já li, mas também foi o mais interessante! Não houve apenas a forja assim, que aliás foi explicada com louvor. Mas teve muito do personagem, a sua personalidade e trejeitos. Gostei bastante do fator da dúvida, se ela iria conseguir, da insistência e da coerência para o tipo físico da sua personagem, a colocando cansada e tudo o mais. Parabéns mesmo!

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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por Khali em Ter Dez 30, 2014 1:51 am

FIRST WOOD FORGE



A viagem a Marsember fora cansativa, principalmente pelo fato de ter enfrentado ladinos na estrada e ter aparecido um nojento porém atraente humano para ajuda-la. Então demorou ao menos uma semana para que estivesse de volta para Suzail e imediatamente, abriu a forja, temendo baixa nas suas peças.

A fofoca sobre Khali ter forjado armas para Filha de Tempus espalhou-se rápido o bastante para que no momento em que aproximava-se da porta do recinto para abri-la, alguém já estivesse ali esperando-a. Era uma garota de longos cabelos pretos, uma pele mais pálida que o normal e unhas... “Caramba, eram garras!”, completou mentalmente, enquanto afastava-se e a cumprimentava com um leve assentir. Abriu rapidamente a porta, atrapalhando-se com o trinco, isso devido ao fato de terem garras bem afiadas bem próximo a si, o que a deixava claramente nervosa.

Tratou de abrir passagem para a cliente aparentemente nada agradável e esticar a mão em direção ao balcão. Apressou-se para ficar do lado oposto que ela e estendeu-lhe uma fichinha de pergaminho leve, enquanto forçava um sorriso.

- Bem vinda a minha forja! – Recebeu-a finalmente e a garota sorriu. Pôde perceber caninos bem afiados, ou seja, presas assustadoras se precipitarem sobre os lábios dela. Recuou por puro instinto, mas rapidamente voltou a aproximar, temendo uma reação negativa da reaver.

- Olá, sou Selene e necessito urgente de uma arma mágica. – Disse, enquanto desembrulhava algo e estendia na direção da bahaliana. Esta, aproximou-se melhor para ver e arqueou a sobrancelhas em plena dúvida. – Sim, são duas placas de freixo. Preciso que faça um báculo.

Khali ficou sem reação diante a oferta. Lógico que tinha os instrumentos de carpintaria consigo: cerrotes, cinzel, fita métrica e serra circular. Tinha tudo consigo, mas nunca tinha feito qualquer arma para alguém, só tinha aprendido com seu mestre há algum tempo quais eram os estágios para fazer armas de madeira, mas nunca de verdade empenhou no trabalho.

- Devo ser no mínimo sincera com você, nunca fiz um báculo para qualquer cliente, mas sei sim fazer carpintaria. – Explicou e a reaver apenas assentiu em concordância, talvez não tivesse achado melhores opções. – Ok, então vamos tirar as medidas para que eu faça um báculo. O freixo já está encantado por algum mago da cidade? – Perguntou, afinal, de nada adiantaria fazer a arma sem esta estar devidamente encantada. Selene assentiu, não dizendo uma palavra se quer.

Aproximou-se um pouco contra a vontade temendo que virasse o jantar da garota e esticou a fita métrica, medindo exatamente dos pés a cabeça da garota, exatamente um e setenta de altura. O local ideal para segurar o báculo deveria ser um pouco abaixo dos ombros, então seria onde arrumaria um local mais confortável e este deveria ser ao menos cinco centímetros mais alto para o utilizador da magia.

- Ok, você poderá buscar pela manhã. – Resolveu, um pouco apreensiva e a reaver retirou-se, para o alivio de Khali.

♣ ♠ ♣

A bahaliana fitava os instrumentos de carpintaria em dúvida. Lógico que sabia a função de cada um, mas ainda assim, estava hesitante pelo simples fato de que seria a primeira forja de madeira. Com um grande suspiro, decidiu por começar o trabalho pelo mais simples: o desenho.

Sentou-se a mesa e retirou da gaveta pincéis, tinta e pergaminho. Iniciou o desenho por um longo bastão, definindo a medida para o mesmo de 1.70m, a altura referente à Selene. Definiu a espessura da forma cilíndrica – que seria bem pequena para evitar um peso muito alto. Para a ponta, decidiu um desenho mais simples, em forma de caracol, até a pequena ponta que fixaria a um ponto do bastão, preso a este local para um balance bom. Ainda assim, estava hesitante, mas lembrava-se dos ensinamentos de seu mestre, que dizia que quando era em relação a carpintaria, não bastava ter a imagem na cabeça, mas era necessário o desenho o mais realista possível, com as devidas medidas.

Com o desenho e as medidas definidas, pegou os freixos e levou-os a bigorna. O pedaço mais longo definiu para ser usado para o bastão, portanto, pegou e fita métrica e o mediu, descobrindo que sua medida era de 1.78. Marcou com o cinzel os oito centímetros que deveria cortar e utilizou o serrote para isso, apoiando a parte a ser cortada na ponta da bigorna. Após isso, começou a entalhá-lo de forma que ficasse cilíndrico, utilizando o cinzel. A forma era o mais difícil de fazer, por isso passou mais de horas entalhando e depois utilizando o serrote para retirar as partes em excesso ou deslocadas da forma que queria. Em todo esse momento, mantinha-se esperançosa quanto ao resultado. Era sua primeira experiência, estão esforçava-se mais do que o normal, completamente concentrada para atingir o resultado ideal.

Uma ideia correu pela cabeça para um modo de juntar os dois pedaços de freixo de modo que ficassem firmes e de modo que o báculo tivesse algum estilo e brilho por si só, pois não lhe agradava a ideia de uma arma apenas de madeira.

Aproximou-se da fornalha e atirou um pequeno pedaço de prata que sobrara de forjas anteriores, isto é, o excesso não moldado, para que servisse de liga entre o bastão e a ponta desenhada. Enquanto derretia a prata, aproximou-se do outro pedaço de freixo e começou a imitar o desenho, utilizando o cinzel para moldar exatamente como queria. Inicialmente, de forma circular, mas não fechou o círculo, começando a formar uma continuação da ponta até que encaracolasse, igual formato de caracol, mas não tão extenso e longo, apenas uma ponta virada para o interior do círculo não formado. Não demorou para que fizesse essa parte, pois suas mãos hábeis sabiam exatamente como colocar em forma o que corria em sua mente e o desenho a sua frente. A concentração era tanta, que não percebia o tempo passar, focada nos trabalhos que suas mãos calejadas, porém hábeis e firmes faziam.

Pegou um molde cilíndrico muito pequeno e colocou o primeiro e o segundo freixo conectados um ao outro, para que fossem realmente colados pela prata que era enfraquecida na fornalha. Correu para a mesma que estava em fogo baixo e retirou com a tenaz o pequeno pedaço, colocando-o exatamente no local em que o primeiro freixo entalhado conectava-se com o outro e assim, quando a prata esfriasse, tomaria a forma cilíndrica naquele espaço e formaria uma liga entre as partes. Sentou-se na mesa e aguardou, enquanto fazia algumas anotações sobre o pergaminho de como a madeira mágica reagia ao metal quente, o que de fato não era algo ruim, a segunda apenas envolvia a primeiro e esfriava, juntando-se à ela. Após algum tempo, voltou ao molde e observou o resultado com o metal meio quente e meio frio. Pegou o martelo de 500kg apenas para retirar o excesso que colava as extremidades do molde e depois com ambas as mãos, testou para ver se estavam realmente unidas uma a outra. De fato, estavam.

Voltou a colocar os restos da prata na fornalha e esperou até que quase derretesse, logo, com a tenaz, retirou-a bem rápido e colocou sobre a parte da base cilíndrica, envolvendo o freixo completamente, como uma camada de proteção de prata. Repetiu o mesmo processo com a parte superior do báculo, banhando-o no metal. Como era apenas uma camada, não era necessário barra de prata, apenas um pouco da mesma para que envolvesse o freixo e oferecesse proteção e era tão fina o suficiente para não servir de barreira contra a magia. De qualquer forma, pediria para a reaver levar o báculo ao mago da cidade, para ele definir se ainda conservava as propriedades mágicas e se aprovava a forma simples com que foi forjada..

Sendo um híbrido de madeira e metal, teve que aguardar o resfriamento para coloca-lo novamente sobre o resfriador de água. Após isso, pegou a substância que utilizava para polir e passou em toda extensão da arma mágica, com o maior cuidado possível. Ficou a admirar sua arte, animada por ter tido êxito na criação de uma arma mágica, usando madeira.

Já era fim de tarde quando tinha a arma pronta, então a envolveu em um tecido para que ficasse em perfeito estado e exausta, retirou-se da forja. Fez uma nota mental, para que não esquecesse na manhã seguinte.

” Devo alertá-la para ir a um mago e testar a arma, talvez a prata impeça o efeito.

Observações:
• Primeiramente, acho importante constar que os dois freixos foram retirados do arsenal de Selene, então não haverá quaisquer gastos na forja.
• Segundo, devo ressaltar que NUNCA forjei e nem sabia como fazer um báculo de madeira, principalmente usar carpintaria, então todos os processos foram do modo que imaginei. Procurei pesquisar vídeos e instruções para isso, mas nada achei de útil.
• Terceiro, encontrei a forma mais simples de um báculo aqui que seria este, portanto, é exatamente como está o forjado para Selene.
• A idéia de cobri-lo por prata foi devido ao fato de que queria uma forma de fazer uma liga resistente entre os dois freixos, mas aí aprofundei a ideia para dar um tom mais vistoso para o báculo. Não são placas, pois seria muito para algo que é apenas um revestimento bobo, então narrei como restos inutilizados das pratas de forjas anteriores.



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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por King em Ter Dez 30, 2014 2:42 am

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 20 pp.

Bom, com o tempo a pessoa se aperfeiçoa em fazer as coisas, e por mais que eu tenha certeza absoluta que você ainda vai melhorar muito os seus posts daqui por diante, suas forjas já estão incríveis. Do primeiro post que avaliei para esse já houve uma evolução absurda, e nada menos é esperado de você meu amor. Diria que estou orgulhoso, mas não acho certo, pois em nada tive a ver com essa sua melhora, então, meus parabéns, merece e muito ♥

Se pudesse, lhe daria mais, mas infelizmente, sou limitado pelo prêmio máximo.

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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por Khali em Qua Dez 31, 2014 8:29 pm

FIRST WOOD FORGE





Khali espreguiçou-se diante a janela aberta. O sol indicava que era manhã, por volta das sete horas. Os raios tocavam a pele da mesma gentilmente, trazendo um calor consigo que parecia ser absorvido pelos poros dela. Era uma sensação aconchegante e apenas apreciada pelo sol daquele horário do dia, e esta era a única razão de valorizar acordar cedo.

Com um longo suspiro, aproximou-se da fornalha e atirou um monte de lenha na mesma, ligando-a. Escutou o crepitar típico do aquecimento da mesma e sorriu com um som tão familiarizado. Rotina talvez fosse algo bom.

Escutou o tilintar típico do sino da porta, indicando que algum cliente adentrava na forja e aproximou-se do balcão com um largo sorriso de boas vindas ao seu cliente. Por sorte, aquele dia estava de bom humor, então poderia fazer milhares de armas sem reclamar nem por um segundo.

Um elfo aproximou-se e a cumprimentou com um gesto de cabeça. Apoiou sobre o balcão e a fitou, um tanto quanto pensativo.

- Eu gostaria de um arco de prata com quinze flechas do mesmo metal. – Pediu, mas não trazia consigo qualquer metal, o que lhe custaria falcões de prata. – Você tem algum metal a venda?

- Tenho nutrium, um ótimo e raro metal, que tem um atributo de fazer crescer visgos e prender aquele que foi atingido pela arma. – Explicou, enquanto com o dedo indicava as barras de metal com um tom levemente esverdeado, empilhadas ao canto direito da forja. – E tenho os básicos, prata e aço.

- Ah, sim. Nesse caso, quero o arco e quinze flechas de prata, mais o adicional de outras quinze de nutrium. – Pediu e imediatamente a bahaliana fez o recibo e as contas sobre um pergaminho.

- O ideal seria eu cobrar dois falcões de prata a mais pela dificuldade de forjar um metal raro, mas não farei isso hoje, estou especialmente de bom humor! Então apenas cobrarei o preço do metal raro nas flechas, que é vinte e cinco falcões de prata, o preço da prata somado com o custo mínimo da forja para cada item, que será ao total oito falcões de prata. Somando os dois preços, teremos trinta e três falcões de prata. Correto? – Ofereceu o custo para o elfo, esperando ansiosamente pela resposta.

- Tudo bem. – Respondeu em concordância. – Quando posso buscar?


- Pela manhã do próximo dia. – Definiu e escutou-o murmurar um “obrigado” e em poucos segundos, a porta fechava atrás dele.

♣ ♠ ♣


Com um longo e demorado suspiro, começou a ajeitar-se para forja. Aproximou-se do apoio de roupas e materiais de segurança e começou a vestir-se bem vagarosamente, enquanto refletia. “A pressa é inimiga da perfeição”. Ela bem sabia desse fato, pois a única vez que apressara-se em uma forja, foi com o item da Filha do Tempus, que tinha certeza que não estava em perfeito estado e logo mais ela viria pedir para reforjar.

Ainda conservando o bom humor e as ótimas sensações que o sol da manhã fazia percorrer seu corpo, resolver começar a forjar. Cantarolando músicas que por muito tempo escutara em tavernas, iniciou o trabalho, pegando uma placa de prata entre as pinças da tenaz e despejando-a ao fogo. Enquanto esta esquentava, abriu o armário de moldes e retirou um molde de arco de tamanho médio – normal – para que pudesse colocar a placa de prata e moldasse. Colocou-o sobre a bigorna e aguardou pacientemente, esperando atingir um tom alaranjado por toda a sua extensão, algo que não demorou muito.

Nesse meio tempo, podia sentir a animação de estar forjando seu primeiro arco para um terceiro cliente. Parecia que finalmente sua forja tinha um renome.

Quando o tom ideal para forjar atingiu a prata por completo, com a assistência de uma tenaz, retirou a placa rapidamente das chamas e colocou-a por sobre o molde. Como estava em um estado de um sólido mais mole/modificável, adentrou naquele com a maior facilidade. Utilizando de um martelo de 1.5kg, começou a compactar a matéria com batidas fortes e rítmicas, retirando o excesso nas extremidades e forjando a placa a adequar-se completamente ao desenho do molde. Por vezes, quando a tonalidade mudava para um vermelho cereja, tinha que volta-la para a fornalha por alguns minutos, mas não era um trabalho nem um pouco mais difícil ou similar ao de glacium. Após algum tempo, tinha uma matéria plana sobre o molde, encaixado perfeitamente neste. Um sorriso de orgulho percorreu os lábios da armeira, que ficava cada vez mais admirada com seu esforço transformando-se em algo palpável.

Para tomar a forma e poder ser retirado, levou-o novamente ao fogo com o auxílio da tenaz e depois voltou-o ao molde, retirando imperfeições com um martelo menor, de 500g. Finalmente, retirou-a do molde e percebeu que tomava a forma fixa. Para fazer alguns detalhes satisfatórios, pegou uma caneta de madeira e fez desenhos circulares de uma extremidade a outra do arco, para que ficasse mais bonito e levou-a para o processo de reaquecimento e resfriamento. Primeiramente, levou-o novamente a fornalha com a tenaz e deixou com que esquentasse um pouco, para depois retirá-lo e deixá-lo resfriar ao ar.

Repetiu o processo duas vezes e depois levou para o resfriador em água, mergulhando-o ali. Finalmente, pendurou-o sobre o suporte de armas para secar. Um suspiro de alívio escapou da armeira, que finalmente estava terminando uma parte do pedido.

Enquanto esperava, tratou de retirar o molde de cima da bigorna e coloca-lo sobre a pia para depois lavá-lo. Tinha um tipo de “TOC” que a impedia de manter bagunça na forja, então quando terminasse, teria que limpar cada extremidade suja, cada poeira.

Voltou ao armário de moldes e escolheu trinta pequenos para pontas de flechas e pelo tamanho, caberia perfeitamente na larga bigorna. Na prateleira mais alta, encontrou suportes para encaixar as pontas de coloração preta, feitos de madeira mais escura e pintado por um carpinteiro, conhecido de Khali. Contou trinta desses e separou-os sobre o balcão. Na prateleira mais baixa, encontrou uma corda de poliéster para o arco e pegou-a.

Aproximou-se do arco já resfriado e pronto e encaixou a corda, utilizando instrumentos como alicate e outros para que ficasse bem fixo. Testou o balanço, o peso e a elasticidade da corda e abriu um grande sorriso, de puro orgulho e satisfação do próprio trabalho. Antes que partisse para o próximo trabalho, tratou de pegar um pano fino e a substância que um herbalista tinha feito para a armeira e começou a polir, até que ficasse brilhante. Envolveu-o sobre um tecido para que ficasse bem guardado e colocou ao canto do longo balcão, à espera de seu dono.

Eis que faltavam apenas as trinta setas. Sorriu orgulhosa e percebeu que tinha adquirido alguma resistência com tantas forjas, pois ainda não sentia os músculos reclamando. Primeiramente, pegou uma tenaz e levou-a em direção ao metal nutrium, seria a primeira vez que forjaria alguma arma usando-o. Foi quando tocou na placa que acometeu-se em uma surpresa sem igual. Visgos pareciam surgir de nada e envolviam a tenaz, empurrando-a, envolvendo-a, como se não aceitasse sem tocada. Praguejou em alto e bom som, o sangue fervendo em irritação.

- Você está brincando comigo, não é? – O fato de estar conversando com um metal provava que Khali era um pouco louca e quando percebeu isso, suspirou frustrada. – Ok, vamos dar um jeito em você! – Disse, determinada, enquanto ia em direção ao suporte de ferramentas. – Só me faltava essa, falar com um metal... – Revirou os olhos, enquanto a mente desenrolava-se em busca de um plano.

As vigas teriam que distrair-se com alguma coisa, enquanto usava a tenaz para pegá-la, sem que ela impedisse a ação. Portanto, jogou um bastão de madeira, restos de uma carpintaria anterior, em direção ao metal e as vigas imediatamente, o envolveram, apertando-se contra o mesmo. Suspirou em alívio e franziu a testa, em plena confusão sobre a situação. Porém, não havia tempo a perder, tinha que agir antes que as vigas procurassem outro material para agarrar.

Voltou à fornalha e colocou um caldeirão um tanto quanto grande ali, pendurado sobre um suporte, pois precisaria do mesmo para derreter completamente a prata e o nutrium e colocar por sobre os moldes das pontas das flechas. Retornou rapidamente ao teimoso metal, dessa vez determinada em leva-lo ao fogo e segurando a tenaz, investiu agilmente contra ele e segurou-o entre as pinças. Antes que o mesmo pudesse reagir com suas vigas, jogou-o sobre o recipiente e levou mais lenha a fornalha, potencializando-a para evitar que de qualquer forma, ainda pudesse tentar lutar.

- Viu? EU sou mais forte e mais racional. – Provocou o ser inanimado e mostrou a língua para onde o metal estava. – Agora vai virar ponta de flechas, queridinho! – Por um momento, Khali deu-se conta de que estava realmente conversando com algo que não iria responde-la, muito menos entende-la e riu consigo mesma. Realmente, às vezes encaixava-se perfeitamente na definição de loucura.

Enquanto esperava o ponto certo de retirá-lo do fogo, separou exatos quinze moldes e colocou-os de forma organizada por sobre a bigorna, para que pudesse fazer tudo corretamente e sem deixar muita sujeira. Separou dois martelos de 500g e colocou-os ali e mais um caldeirão para colocar a prata, quando tirasse o nutrium.

Depois de muito tempo, voltou à fornalha e percebeu que o metal já tinha derretido, tonalizando-se em um esverdeado lindo. Segurou com um pano grosso o caldeirão, ainda protegida pelas luvas de raspa e aproximou-se em passos rápidos da bigorna, despejando sobre cada molde a mesma quantidade, tomando os devidos cuidados para não colocar em excesso e assim, fazer sujar tudo.

Ao finalizar de despejar nos quinze moldes, deixou o metal derretido esfriar, enquanto levava o caldeirão sujo para a pia e o substituía no fogo por outro. Para aumentar as chamas, lançou mais lenha à fornalha. Com a tenaz pegou uma única barra de prata e a colocou cuidadosamente no caldeirão, agradecendo aos deuses que não fosse teimosa quanto os metais anteriores que tinha trabalhado, glacium e nutrium.

Voltou à bigorna e testou com a ponta do martelo se o metal já tinha tomado consistência para ser modelado e ainda não, deparava-se com um misto de sólido e líquido, uma gosma praticamente, então pacientemente sentou sobre a cadeira de madeira velha, descansando os braços que já mostravam sinais de cansaço, os músculos tensos. Alongou-se, a fim de que diminuísse o incômodo e aguardou.

Pouco tempo depois, retornou aos moldes e tocou o primeiro com a ponta do martelo, deparando-se com certa rigidez. Colocou todos os pequenos moldes sobre uma pá grande, que usava para levar materiais menores ou em maior quantidade ao fogo e segurou-os sobre as camas por alguns minutos, até que tomassem uma coloração alaranjada, digna de forja. Retirou-as e voltou-as a bigorna, então com o martelo de 500g começou a distribuir pancadas firmes e habilidosas sobre o nutrium, tornando a superfície da ponta das flechas plana e compactada. Quando fez todo o processo sobre todas as quinze pontas de flecha, levou-as do mesmo modo para a fornalha, reaquecendo-as e depois para o resfriador, afundando-as na água e retirando-as imediatamente. Retirou-as dos moldes e as deixou sobre uma superfície de madeira, ao lado da afiadeira.

Colocou os outros quinze moldes acima da bigorna, aguardando o metal. Voltou à fornalha, pegando o pano quente e retirando o caldeirão dali, logo, despejou a prata sobre os moldes de forma lenta, para que não sujasse ou desperdiçasse. Atirou sobre a pia o caldeirão e voltou à afiadeira, utilizando o tempo de resfriamento da prata para encaixar todos os cabos de madeira nas pontas. Depois, ligou a roda de afiar e utilizou em cada uma das flechas, um processo não tão demorado, por serem armas pequenas. Após cada uma, testava-as no dedo, fazendo apenas um furinho, para que aprovasse o poder de perfuração.

Terminou o processo no mesmo tempo em que encontrou a prata pronta para ser moldada. Colocou todos os moldes sobre a pá e levou de encontro ás chamas, aguardando o tom alaranjado para retornar a bigorna. Depois disso, em cada uma das pontas, bateu com o martelo de 500g firmemente, para que ficassem planos e compactados, quando aprovou pelo olhar analisador que todos estavam devidamente moldados e iguais, retornou-os sobre a pá e levou ao fogo para o recozimento e depois para o resfriador, afundando-os na água.


Para finalizar o trabalho, retirou cada um de seus devidos moldes e encaixou-os em seus cabos de madeira, para enfim levar a afiadeira. Um a um, afiou as setas e testou-as sobre os dedos, aprovando a perfuração.

Os músculos reclamavam cada vez mais, tensos ao exagero do trabalho. Passaram-se horas, já estava ao anoitecer, mas a armeira empenhava-se nos detalhes, para deixar seus clientes satisfeitos. A cabeça doía diante ao esforço de tantas horas e a barriga roncava, demonstrando o estômago completamente vazio. Não sabia como não tinha percebido todos esses detalhes, talvez por estar em demasia concentrada no que fazia. Um dia acabaria morrendo assim. Mesmo assim, negou a recompensa de ir para casa, comer e dormir. Não, primeiro precisaria polir cada uma das flechas. Levou todas as suas obras de arte para a mesa de madeira e iniciou o trabalho, utilizando de um pano fino e macio, banhado em uma substância criada por um herbalista, que deixava brilhando cada arma. Horas se passaram até que finalmente estivesse pronta e em um suspiro de alívio e cansaço, guardou as mercadorias em uma aljava, embrulhando-a em tecido.

Observações:
• Arco comum = 1 placa de prata. // [15] Flecha de Prata = 1 placa de prata // [15] Flecha de Nutrium = 1 placa de nutrium = Retirar do meu arsenal, são os gastos referentes a forja.
• Atualizar todas as armas em Jory em troca de 33 falcões de prata. Preço explicado no início da EMP e na própria loja de khali.
• Dados lançados AQUI.
• Favor, levar em conta que NUNCA forjei um arco e flechas
.



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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por King em Qua Dez 31, 2014 10:30 pm

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 20 pp.

Vai ficando melhor nos detalhes, o que como eu já disse anteriormente, é o esperado para você. Novamente, ainda sei que vai nos trazer algo a mais da próxima vez, mas somos limitados, e então, um prêmio limitado para ti. Se continuar assim, acabaremos aumentando o valor máximo do prêmio. Parabéns ♥

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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por Khali em Sab Jan 03, 2015 4:38 am

that human again? Oh no




Naquela manhã, fora obrigada a acordar mais cedo que o normal, pois tinha uma encomenda para entregar. Assim que os galos anunciavam o dia a nascer, Khali já estava dentro da forja, aguardando o seu freguês buscar a encomenda e talvez algum cliente aparecer.

Foi quando escutou o titilar típico da porta abrindo-se que aproximou-se do balcão. Era o elfo que pedira o arco e as flechas. Recebeu-o com um sorriso no rosto e palavras de boas vindas, mas não demorou para que ele lhe entregasse o pagamento em troca da mercadoria, afinal, estava com pressa, então não demorou para sumir atrás da porta.

Já precipitava-se para dentro para forjar algumas adagas para si, quando a porta abriu-se novamente, revelando uma figura de cabelos alvos, olhos azuis e sedutores e um sorriso por demais atraente. Quando avaliou-o mais de perto, reparou que era o humano nojento e desagradável que tinha lhe acompanhado para fazer a entrega da drow, Caspiel. Revirou os olhos, mas esforçou-se para ser educada, apenas ignorando o fato de já terem conhecido. Fingia, como uma boa atriz, que não o reconhecia e sua postura era digna de uma farsante.

- Olá, seja bem vindo! – Abriu um largo e falso sorriso, fitando os olhos claros. – Estou meio ocupada na forja, então se puder deixar escrito no papel o seu pedido, agradecerei. – Dizia, já virando as costas para o sujeitinho de raça ruim. – A tabela de preços está na parede, basta ler e poderá vir buscar pela manhã, deixarei com minha ajudante. – Não tinha nenhuma ajudante, isso era verdade, mas não custaria pagar uma adolescente para fingir ser na manhã do dia seguinte.

Escutou-o falar algo, mas apenas ignorou, precipitando-se para área de forja. Faria o possível e o impossível para evita-lo, afinal, não podia lidar consigo mesma começando a gostar de alguém de uma raça tão repugnante como aquela. Ia contra as próprias crenças e contra o próprio plano de exterminar todos os humanos da face da terra.


♣ ♠ ♣

Enquanto aguardava o garoto retirar-se, ligou a fornalha e jogou uma boa quantidade de lenha para esquentá-la. Organizou os materiais de forja em seu suporte na parede e começou a vestir o equipamento de proteção, isto é, os sapatos, as luvas e o avental de raspa, a máscara e os óculos.

Não demorou para escutar os passos pesados do humano emburrado e o tilintar da porta fechando-se atrás dele. Riu baixo, agradando-lhe o fato de tê-lo irritado e aproximou-se do balcão. A primeira coisa que viu foi três barras de metal embrulhadas por vários tecidos e imediatamente foi nessa direção, abrindo-a. Por acidente, os dedos tocaram o material e imediatamente, a ardência da queimação fizera-a afastar-se, fitando o brilhar azulado típico do glacium. Se já tinha raiva do garoto, agora tinha aumentado 1000%!

Odiava com toda a força possível aquele metal. Tão difícil, chato e teimoso de forjar. Mas valia o sacrifício por algumas moedas de prata e um renome por toda Cormyr. Suspirou longamente, ainda sentindo o ardor típico do toque no glacium. Ligeiramente irritada, pegou a folha de pedidos preenchida e a encarou. Ele queria um arco composto, algo que custaria três barras de metais para ser feita. Como não tinha qualquer experiência em forjar à mão seca tal arma, necessitava de um molde.

Abriu o armário e retirou o molde de arco composto, além de um grande caldeirão que coubesse a quantidade de placas derretidas necessária. Pendurou-o sobre o suporte da fornalha, aquecendo-o, enquanto pegava a tenaz e cobria suas pinças com um pouco de tecido, a fim de impedir o congelamento desta ao pegar o material. O molde já descansava sobre a bigorna e ao lado dele, deixou um martelo de 500g e uma marreta dde 1.5kg, para que pudesse compactar e delinear as camadas do glacium derretido.

Primeiramente, pegou uma placa, sentindo o gelar típico espalhar-se pelo ambiente, transformando o que antes era um ambiente exageradamente quente, em um recinto fresco. Sorriu pela diferença de temperatura, um pouco agradecida pelo ar gelado que corria em meio a tanto calor, servindo como uma espécime de ventilador natural. Com a tenaz, despejou-a sobre o caldeirão já quente e aguardou o derretimento, enquanto com a vassoura, retirava a sujeita em demasia presente no recinto. Demorou muito mais do que esperava, afinal, da ultima vez que trabalhara com ele, apenas esperava o tom alaranjado típico para a forja e não o derretia completamente. Podia até imaginar que tinham passado horas, pois nesse meio tempo, tinha limpado todo o canto sujo por fuligem.

Com o auxílio de um pano grosso – além das luvas de raspa – retirou o caldeirão quente do fogo e despejou o contento azul claro sobre o molde, enchendo um terço de sua capacidade. O estado em que estava era entre sólido e líquido, portanto, não demoraria muito para que esfriasse o ideal para moldagem. Enquanto esperava, com o auxílio da tenaz novamente, levou a segunda placa ao caldeirão e o retornou para a fornalha. Para que não demorasse muito, levou mais lenha ao fogo, a fim de intensifica-lo. Aguardou sentada pacientemente sobre a cadeira velha de madeira. Passaram-se poucos minutos até que o metal já tivesse atingido a temperatura e a forma ideal para ser moldado e aproximou-se.

Primeiramente, pegou a marreta de 1.5kg e começou a compactar o glacium sobre o molde, tentando deixá-lo ideal para a segunda camada. Além disso, com marretadas firmes e hábeis, conseguiu deixar superfície devidamente plana. Por vezes, com o auxílio da pá – mesma função da tenaz, levar materiais que esta não conseguiria para fornalha – levava o molde com o metal dentro para o fogo, para esquentar e tomar a tonalidade correta para forja – alaranjado –, isso era feito toda vez que conseguisse notar a cor vermelho cereja tomando a extensão do material.

Logo após finalizar esse estágio braçal, constatou que o glacium já deveria ter derretido e com o pano quente, retirou o caldeirão da fornalha. Com o olhar, percebeu que estava no ponto certo e despejou-o sobre o molde com a primeira camada já devidamente feita. Para resfriar o suficiente para poder bater com a marreta, seria necessário um tempinho, então voltou o recipiente para às chamas e pegou com a tenaz, a última barra do material chato, colocando-a dentro daquele para que derretesse.


Por incrível que pareça, daquela vez o glacium não estava lhe dando muita dor de cabeça, pois finalmente tinha aprendido a trabalhar com o mesmo e sentia-se vitoriosa por isso. O único problema era o tempo, em suas duas variáveis – pouco e muito – . Para o derretimento, tinha que aguardar muito tempo, mas para Khali não era lá muito ruim, pois era uma muito paciente e sempre ocupava-se nesse meio tempo. Para o resfriamento, era muito pouco tempo, então tinha que leva-lo a fornalha mais vezes do que poderia imaginar, pois atingia o vermelho vivo muitas vezes em um espaço curtíssimo de tempo.

Voltou à bigorna e deparou-se com a com alaranjada sobre o azul claro do metal, então iniciou o trabalho com a marreta de 1.5kg, compactando-o com batidas firmes. Para deixar a segunda camada plana, precisou distribuir quantidades igual de batidas por toda a extensão, sempre precisas e fortes. Não foi diferente, ainda precisava retornar as chamas à todo momento o molde.

Ainda não sentia o cansaço nos músculos, talvez por ter adquirido resistência a trabalho braçal com tantas forjas, mas sabia que não iria demorar para sentir a dor incômoda. Com esse estágio pronto, voltou ao caldeirão, deparando-se com o ponto exato para retirar o glacium do fogo e o fez, despejando sobre a segunda camada do arco. Enquanto esperava resfriar até o ponto de forja, levou os materiais sujos e que não seriam utilizados novamente para a pia. Quando retornou ao molde, este estava pronto para ser moldado. Repetiu o mesmo processo que as camadas anteriores, a fim de deixá-la plana e compactada com as outras partes. Quando chegou ao resultado esperado, voltou as extremidades, retirando o excesso com a marreta. Levou o arco para o fogo e esperou que tomasse a cor alaranjada, para volta-lo para bigorna.

Iniciou o processo de detalhamento e concerto de algum pedaço torto ou diferenciado dos outros utilizando um martelo de 500g, batendo firme, porém menos forte. Levou o molde ao fogo e imediatamente ao resfriador de água, afundando-o ali e assim, retirando a parte do molde. Deparou-se com um belo arco, maior e mais resistente que os outros estilos – por ser usado mais placas – , a tonalidade era de um azul claro brilhante e expelia uma aura bem gélida, esta, por sua vez, causava arrepios por todo o corpo de Khali, assustada pelo resultado tão belo do próprio trabalho.

Voltou o arco agora pronto para a fornalha, com o fogo um pouco mais baixo, para o recozimento. Depois disso, procurou avaliar se encontrava qualquer erro, mas felizmente não encontrou. Finalmente, deixou-o resfriar em meio ao ar, para volta-lo novamente ao fogo. Esse processo repetiu-se três vezes, para então afundá-lo no resfriador de água e pendurá-lo para secar.

Enquanto isso acontecia, tratou de retirar todos os equipamentos de proteção e pendurá-los no suporte. Depois, foi ao armário e recolheu uma corda de poliéster e voltou a pegar o arco, impressionada por ter secado tão rápido – devido suas propriedades – . Com uma fita métrica, mediu o espaço para encaixar a corda e cortou exatamente o tamanho, para depois encaixá-la com a ajuda de um alicate. Enquanto fazia isso, refletia sobre o fato de a irritação e raiva ter simplesmente sumido enquanto realizava o trabalho. Talvez o ofício fosse o local que impedia os pensamentos para concentrar-se no trabalho, uma sessão de descarrego e distração, realmente gostava da ideia.

Por fim, testou o peso e o balanço e finalmente, a elasticidade da corda. Satisfeita com o resultado, embrulhou a mercadoria em meio a uma quantidade satisfatória de panos, prendendo-os com uma fita cuidadosamente. Anotou no papel o nome do cliente, o desgosto e a irritação presente em cada palavra, devido a força desnecessária que escrevia. Pela manhã, contrataria uma adolescente para entregar o arco para o humano.

Ao fim de tudo aquilo, finalmente a dor fez-se presente, em cada músculo exercitado e a concentração lhe rendera uma bela enxaqueca. Era hora de ir para casa. Fitou o céu e percebeu que não era tão tarde da noite assim, poderia descansar mais do que estava acostumada.

Observações:
• Arco Composto = 3 placas de glacium. // Favor atualizar na troca, Saphira L’Mont – minha fake – enviou para Khali.
• Atualizar o arco em Caspiel em troca de nada, negociação à parte. Favor atualizar conforme último spoiler da loja de khali.
• Dados lançados AQUI.
.



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Re: [EMP] Forja de Khali

Mensagem por King em Sab Jan 03, 2015 4:46 am

Avaliação| EMP



Aprovado
Recompensa: 20 pp.

Gostei muito principalmente da interação com o personagem, relembrando detalhes de uma AVN, que apesar de não ter terminado, já indica o que vai acontecer. Sobre a forja, já sabe que está incrível como sempre, vou começar a pensar em alguma forma de te recompensar melhor, ainda acho injusto que receba apenas isso.

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Re: [EMP] Forja de Khali

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